quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ERROS PRIMÁRIOS HIPOTECAM LIGA EUROPA















FICHA DO JOGO


























Ainda não foi desta que o FC Porto venceu um jogo em casa, nas provas europeias e mais uma vez por sua responsabilidade exclusiva. Falhar defensivamente com lances caricatos foi novamente a pena capital que pode ter determinado o afastamento prematuro desta prova.

EQUIPA TITULAR



















Da esquerda para a direita, em cima: Helton, Fernando, Maicon, Mangala, Jackson Martinez e Danilo; Em baixo: Quaresma, Herrera, Josué, Alex Sandro e Silvestre Varela.

A equipa em que Paulo Fonseca apostou, de forma consensual, entrou bem no jogo e conseguiu fazer uma exibição agradável na maior parte do jogo, só comprometendo nos vinte minutos finais, quando tinha já uma vantagem confortável de dois golos e não era previsível um desfecho tão comprometedor.

A exibição portista até então tinha sido razoável, com alguns bons momentos de futebol, algumas boas oportunidades para conseguir mais golos, mas ainda assim com demasiadas perdas de bola, principalmente nas acções ofensivas. Os alemães apenas por uma vez obrigaram Helton a aplicar-se.

Apesar do domínio quase territorial dos azuis e brancos, o golo só surgiria quase em cima do intervalo, num golpe de magia do incontornável Ricardo Quaresma. O extremo portista roubou a bola a um defesa germânico, junto à linha lateral, do lado esquerdo, fez um movimento interior e de fora da área rematou em arco, com o pé direito, fazendo a bola sobrevoar até ao segundo poste, onde ainda bateu, ressaltando para o interior das redes, sob o olhar estupefacto do guarda-redes contrário, impotente para eliminar esta autêntica obra de arte. Estava conseguido o mais importante e logo a seguir o apito do árbitro para o intervalo.



















Os Dragões regressaram com a mesma atitude mas com menos velocidade, permitindo algumas incursões atacantes dos jogadores do Eintracht. Mas foi o FC Porto a criar novas oportunidades de golo com Jackson Martinez muito perdulário a enjeitar duas ou três boas ocasiões. O 2º golo apareceria como corolário do maior pendor ofensivo portista. Livre cobrado a meio campo, sob a direita, por Quaresma, Jackson, no limite da área cabeceou para a pequena área, surgindo Maicon a transformar o seu remate deficiente numa assistência perfeita para a entrada oportuna de Varela que atirou com eficácia.



















Com dois golos de vantagem, Paulo Fonseca decidiu fazer a primeira alteração trocando Josué por Carlos Eduardo. O médio brasileiro entrou sem ritmo e pouco activo. O jogo parecia controlado e decidido, mas em apenas cinco minutos a defesa portista, com dois erros de palmatória, que a este nível não pode cometer, ofereceu o empate ao adversário. Primeiro foi Mangala que ao aliviar mal a bola da área a colocou redondinha para o remate pronto e certeiro de Joselu reduzir para 2-1, depois, na sequência de um canto, Mangala saltou mais alto mas cabeceou fraco para a sua baliza, surpreendendo Helton. O guardião em vez de socar forte apenas sacudiu a bola quase em cima da linha fatal onde estavam dois jogadores adversários e Alex Sandro. O defesa portista, desajeitada e precipitadamente introduziu a bola na própria baliza, entregando o ouro ao bandido.

Já em tempo de desconto Ghilas enjeitou o golo da vitória.





















Destaques para Herrera e Quaresma, sem dúvida os melhores elementos portistas.

Os Dragões vão agora à Alemanha com um resultado desfavorável e com a obrigação de vencer, isto se ambicionarem continuar na prova.

Desta vez Paulo Fonseca é o menos culpado, pois ninguém resiste a falhas tão clamorosas!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

JOGAR NO DRAGÃO TEM DE SER VANTAGEM








Depois de uma campanha  quase desastrosa na Champions League, o FC Porto volta às competições europeias pela porta da Liga Europa, onde aparentemente terá mais possibilidades de lutar pelo título.

O momento da equipa, apesar das melhorias notadas em Barcelos, não é de molde a encarar o próximo adversário sem alguma preocupação.

O Eintracht de Frankfurt ocupa a 12ª posição da Bundesliga, mas isso não é sinónimo de facilidades. A equipa alemã é fisicamente poderosa e perigosa nas acções ofensivas.

Os campeões nacionais não contam com qualquer vitória no Dragão, nos confrontos da fase de grupos da Liga dos Campeões, factor que em muito contribuiu para o seu prematuro afastamento da prova. É por isso mais um motivo para que a equipa se redima e regresse às vitórias caseiras.

As chamadas de Diego Reyes e Carlos Eduardo são as principais novidades na lista de convocados para este jogo. O central mexicano substitui Abdoulaye que por ter representado o V. de Guimarães nesta prova está automaticamente excluído. O médio brasileiro, recuperado da lesão que o importunava, regressa em detrimento do jovem Mikel.

QUADRO COMPLETO DOS CONVOCADOS




















EQUIPA PROVÁVEL






















COMPETIÇÃO: UEFA Europa League - Dezasseis-avos-de-final - 1ª Mão
PALCO DO JOGO: Estádio do Dragão - Porto
DATA E HORA DO JOGO: Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014, às 20:05 h
ÁRBITRO NOMEADO: Matej Jug - Eslovénia
TRANSMISSÃO TELEVISIVA: SIC

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

DRAGÃO CATEDRÁTICO - SABIA QUE...
















... Derlei foi o primeiro atleta a marcar no Estádio do Dragão?

Aconteceu no dia 16 de Novembro de 2003, num jogo de carácter particular com o Barcelona, no dia da inauguração do Estádio.

Depois de ter marcado o golo que valeu a vitória na final da Taça Uefa, em Sevilha, Derlei voltou a brilhar ao marcar o primeiro golo no Estádio do Dragão. Mais um instante mágico que ficou gravado na sua carreira e na própria história do Clube e do estádio. Um golo evidentemente com mais significado estatístico do que desportivo.





















Equipa titular que defrontou o Barcelona, no primeiro jogo do Dragão: Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Pedro Mendes, Evaldo e Tiago; Em baixo: Derlei, Ricardo Fernandes, Maniche, Secretário e Bruno Moraes.

Jogaram ainda: Nuno E. Santo, Pedro Emanuel, Jankauskas, Hugo Almeida, Mário Silva, Hélder Barbosa, Pedro Ribeiro, Vieirinha e Paulo Machado.

O Barcelona resignou-se à sua condição de mero actor secundário de uma festa para a qual fora convidado e onde não teve grande capacidade de intervenção. O jogo não passava de um mero pretexto e não constituía sequer, o mais importante para justificar a presença de 52 mil portistas no seu novo estádio.

O que ficou para a história, acerca deste jogo, foi certamente o resultado (2-0) e o nome dos autores dos golos: Derlei e Hugo Almeida. Depois, algumas curiosidades estatísticas: O primeiro jogador do FC Porto a tocar na bola depois do apito inicial do árbitro (Martins dos Santos), foi Tiago; o primeiro passe entre jogadores portistas ocorreu aos 42 segundos, entre Secretário e Jorge Costa; o primeiro remate pertenceu a Bruno Moraes, antes dos dois minutos de jogo; a primeira substituição foi a de Vítor Baía por Nuno, aos 49 minutos e naturalmente, o primeiro golo foi aos 55 minutos, por Derlei.

Leonel Messi teve também neste dia, a sua estreia na equipa principal do Barcelona.























Já em jogos oficiais, pertenceu a Maniche, o primeiro golo, no jogo disputado, contra a União de Leiria, em 7 de Fevereiro de 2004, a contar para a 21ª jornada da Super Liga, com vitória portista por 2-1. O outro golo foi da autoria de Maciel.

Nas provas da Uefa, o primeiro jogo no Dragão aconteceu em 25 de Fevereiro de 2004, com o Manchester United, jogo da 1ª mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, que o FC porto venceu por 2-1, com «bis» de Benni McCarthy.


Fonte: Revista Dragões

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

GOLEADORES PORTISTAS - Nº 43












HÉLDER POSTIGA - Goleador Nº 43

Apontou 48 golos em 165 jogos oficiais, com a camisola do FC Porto, ao longo das cerca de seis temporadas em que esteve ao seu serviço.

Hélder Manuel Marques Postiga nasceu em 2 de Agosto de 1982, nas Caxinas, Vila do Conde, tendo começado a dar os primeiros pontapés nas escolas de formação do Rio Ave, passando para o Varzim, com apenas 10 anos de idade. Mas foi no FC Porto que completou a sua formação e se fez profissional de futebol, depois de ter sido campeão nacional e internacional nos escalões de juvenis e júniores. Passou pela equipa B, ainda com idade de júnior, antes de integrar o plantel principal.






















Estreou-se oficialmente na equipa principal em 1 de Agosto de 2001, em Barry Town, no País de Gales, frente à equipa local, com o mesmo nome, em jogo da 2ª mão, da 2ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões, que o FC Porto perdeu, por 3-1, depois de ter goleado nas Antas por 8-0. O treinador de então, o palmelense Octávio Machado chamou-o ao jogo aos 53 minutos, a render Ibarra, numa altura em que a equipa portista perdia por 2-1 e o treinador entendia ser necessário que a equipa fosse mais ofensiva para reverter o resultado.

A irreverência e a capacidade de remate do atleta rapidamente lhe granjeou a simpatia do treinador, passando a ser presença habitual na equipa principal.

Fez duas épocas com alguma regularidade, participando em 87 jogos, alcançando 32 golos, marca bastante significativa que fez despertar o interesse de alguns emblemas europeus.











Assim, em Junho de 2003, Hélder Postiga chegou a acordo com o Tottenham, de Inglaterra, a troco de 9 milhões de euros. Mas a sua estadia em terras de Sua Majestade seria efémera.

Inadaptado ao futebol inglês, Postiga regressou ao FC Porto em 2004/05, mas nunca mais conseguiu as performances das duas primeiras épocas de azul e branco, acabando emprestado, primeiro ao Saint-Étienne, de França (Janeiro a Junho de 2006) e mais tarde ao Panathinaikos, da Grécia (Janeiro a Junho de 2008). Entre estes dois empréstimos ainda contribuiu para a conquista de 1 Campeonato nacional e 1 Supertaça Cândido de Oliveira, com a camisola dos Dragões.

Em Julho de 2008 foi cedido ao Sporting, por 2,5 milhões de euros, ficando o FC Porto com 50% dos direitos económicos. O seu rendimento porém, continuou algo distantes das expectativas.

Na temporada de 2010/11 recuperou a titularidade, marcando alguns golos importantes e na época seguinte, apesar de ter começado bem, rapidamente mergulhou na mediania de exibições que levou os responsáveis leoninos aproveitassem de bom grado o interesse dos espanhóis do Saragoça que o contrataram em Setembro de 2011.

Neste clube espanhol Postiga voltou a conhecer dias felizes na sua carreira, principalmente em termos individuais. Viu reconhecida a sua importância como goleador de tal forma que, em Agosto de 2013, o Valência que acabara de perder o seu avançado Soldado para o Tottenham, investiu na sua contratação. 

A sua estadia no Mestalla foi primeiro apreciada mas rapidamente dispensável. Da titularidade à menor utilização foi um ápice. Por isso, foi com naturalidade e ambição que encarou o seu empréstimo à Lazio de Roma, na recente janela de transferências de Inverno. Aos 31 anos de idade, Postiga prepara-se para experimentar o quinto campeonato estrangeiro.

Hélder Postiga soma neste momento 66 presenças na Selecção nacional principal de Portugal, 19 das quais enquanto jogador do FC Porto. Foi nessa condição que se estreou, em 12 de Fevereiro de 2012. Leva já 27 golos marcados com a camisola das quinas.

Palmarés ao serviço do FC Porto (7 títulos):
4 Campeonatos nacionais (2002/03, 2005/06, 2006/07 e 2007/08)
1 Taça de Portugal (2002/03)
1 Supertaça Cândido de Oliveira (2003/04)
1 Taça Uefa (2002/03)

Fontes: WorlFootball.net; ZeroaZero.pt; Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar e Base de DAdos actualizados, de Rui Anjos.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

GALO COZINHADO NO LUME BRANDO DO DRAGÃO















FICHA DO JOGO


























EQUIPA TITULAR




















Da esquerda para a direita, em cima: Helton, Danilo, Abdoulaye, Mangala, Fernando e Jackson Martinez; em baixo: Quaresma, Herrera, Josué, Alex Sandro e Silvestre Varela.


Paulo Fonseca apostou na mesma equipa titular que havia vencido o Paços de Ferreira, na anterior jornada. Proibido de perder pontos, o FC Porto pisou o mal tratado relvado do Gil Vicente, determinado a vencer o jogo. Para tal entrou forte e decidido e dispôs de soberana ocasião de golo logo aos 10 minutos, num lance em que Josué, depois de um bom trabalho a desembaraçar-se do seu adversário, tentou colocar a bola ao ângulo, em forma de chapéu e não foi feliz, atirando por cima do ferro. Nessa altura já os Dragões tinham chegado com algum perigo por mais duas ocasiões, com Quaresma e Jackson a não darem o melhor encaminhamento.

Foi um período em que o futebol portista saiu fluído, ligado, simples e quando assim é, torna-se mais fácil chegar à área adversária, só que aí as coisas complicaram-se, por excesso de passes, algumas vezes, e outras por remates disparatados e sem direcção. Como corolário lógico dessa melhor performance portista o golo apareceria aos 18 minutos, na sequência de uma lançamento lateral, próximo da área minhota. Danilo lançou longo para a desmarcação de Herrera que foi à linha cruzar para o segundo poste onde apareceu Varela a antecipar-se e de cabeça abrir o activo.



















Os Dragões continuaram a carregar e Josué obrigou Adriano a mais uma defesa complicada, num remate forte e colocado, três minutos depois. Depois foi Danilo que numa incursão no ataque surgiu flectindo da direita para o meio, num remate muito oportuno que a trave desviou.

Só à passagem da meia hora é que o Gil Vicente deu um ar da sua graça, quando Brito apareceu descaído pela direita, livre de adversários, entrou na área e à saída de Helton rematou, fazendo a bola resvalar nas pernas do guardião portista, amortecendo a sua marcha em direcção à baliza, onde apareceu Abdoulaye a evitar o golo, com muita serenidade.

O resultado ao intervalo era lisonjeiro para o Gil Vicente, em função das boas oportunidades criadas pelos jogadores portistas.

No recomeço o jogo perdeu alguma vivacidade e os jogadores portistas começaram a dar a ideia que o resultado lhes agradava. Seguiram-se alguns momentos de desconcentração e numa delas Helton acabou por ser feliz, numa jogada de ressaltos, com a bola a cair-lhe nas mãos sem ele saber muito bem como.

Aos 52 minutos Paulo Baptista fez vista grossa a uma falta para grande penalidade sobre Silvestre Varela, num lance em que o avançado portista passou pelo guarda-redes, foi tocado nas pernas e impedido de fazer o golo, de forma mais que clara.

Mas seis minutos depois, o mesmo Varela recebeu a bola ainda no meio campo portista, foi por ali abaixo, flectiu para o centro, entrou na área, evitando um adversário e atirou enrolado para o fundo das malhas. Estava finalmente conseguido o golo tranquilizador, ou melhor, podia ter sido se dois minutos depois a defesa portista não tivesse dado mais uma «abébia» consentindo o golo de honra dos gilistas.
















Depois e até ao final da partida assistiu-se um jogo de bola cá, bola lá, com episódios para todos os gostos, desde a queima de tempo, substituições nos últimos momentos, enfim, o habitual em equipas que não confiam muito nas suas capacidades.

A vitória portista é indiscutível e só peca por escassa, num jogo fraco disputado num terreno difícil. Em termos individuais parece-me justo destacar Varela pelos golos importantes e dizer que Herrera parece querer agarrar o lugar tal como Abdoulaye.

A luta continua, apesar de tudo.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

CORAGEM E DETERMINAÇÃO, O LEMA DO CAMPEÃO








Depois de recuperar um lugar na tabela classificativa, o FC Porto vai deslocar-se a Barcelos com a noção exacta das dificuldades por que vai passar, mas espero, com a atitude certa para ultrapassar um conjunto de obstáculos, colocados pelo adversário, pelas difíceis condições do terreno de jogo e pelas eventuais más condições atmosféricas, já para não falar de outras que neste estádio aconteceram num passado não muito distante.

A equipa continua a não apresentar os índices de confiança e de competência desejados, mas naturalmente espera-se que possa colmatar essas lacunas, com mais entusiasmo, mais ambição e sobretudo mais raça. Só assim poderá almejar manter-se na corrida para a renovação do título. Perder mais pontos seria hipotecar seriamente esse objectivo.

A chamada de Mikel, médio da equipa B, é a novidade na lista dos convocados elaborada pelo técnico Paulo Fonseca. Defour, a braços com uma lesão, ficou de fora e Carlos Eduardo também não regressou ao lote dos eleitos, ainda em recuperação da sua lesão que já o afastou do jogo anterior.

QUADRO COMPLETO DOS CONVOCADOS




















EQUIPA PROVÁVEL






















COMPETIÇÃO: Liga Zon Sagres 2013/14 - 19ª Jornada
PALCO DO JOGO: Estádio Cidade de Barcelos - Barcelos
DATA E HORA DO JOGO: Domingo, 16 de Fevereiro de 2014, às 19:15 h
ÁRBITRO NOMEADO: Paulo Bapista - A. F. Portalegre
TRANSMISSÃO TELEVISIVA: SportTv1

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

EQUIPAS DO PASSADO - SÉCULO XXI

2003/04 - PARTE II

Em termos internacionais, a época abriu com a disputa da Supertaça da Uefa, jogada no Estádio Louis II, no Mónaco e que pôs em confronto, o Campeão europeu, AC Milan e o vencedor da Taça Uefa, o FC Porto.





















Perante um colosso do futebol europeu, a equipa do FC Porto teve um comportamento exemplar. Os Dragões fizeram um grande jogo, bateram-se de igual para igual, disputando o jogo pelo jogo. Não se atemorizou com um adversário que entrou de rompante e teve a felicidade de marcar cedo. Sabe-se como é difícil bater as equipas italianas quando se apanham em vantagem no marcador. Foi mais uma vez o que aconteceu, apesar da atitude competitiva dos azuis e brancos. Derrota algo amarga, tendo em conta a performance portista, mas a vida tinha que continuar


A Champions League estava transformada numa prova milionária, talhada para os "tubarões" europeus. Contudo, o sonho comanda a vida e não paga imposto. Depois de Sevilha, o topo da Europa deixara de ser uma miragem para se tornar um objectivo cada vez mais real. Todos nós, adeptos, atletas, equipa técnica e responsáveis portistas, sentimos que adicionando um pouco mais de ambição à organização, classe e trabalho honesto e dedicado, imagem de marca da equipa de Mourinho, teríamos tudo para sermos ainda mais felizes. 

O sorteio colocou-nos no Grupo F com o Partizan (Sérvia), Real Madrid (Espanha) e Marselha (França).

O primeiro embate teve lugar em Belgrado, frente ao Partizan treinado pelo alemão Lothar Matthaus. O Porto fez uma exibição cautelosa com uma primeira parte de domínio que lhe garantiu o ascendente no resultado com um golo de Costinha aos 22'. Outros ficaram por marcar deixando para a segunda metade uma reacção da equipa da casa que pressionou e acabou por igualar a partida aos 54'. O empate final acabou por ser justo.


A segunda jornada, no Estádio das Antas, proporcionou aos adeptos portistas o privilégio de ver evoluir uma autêntica constelação de estrelas, os galácticos do Real Madrid (Figo, Zidane, Ronaldo (o brasileiro), Solari, Roberto Carlos...), comandados por Carlos Queirós.

Os Dragões, talvez empolgados pela fama dos espanhóis rubricaram uma exibição deveras prometedora só atraiçoada pela eficácia atacante dos categorizados jogadores adversários. O Porto até marcou cedo, aos 5' por Costinha e produziu um futebol vistoso e personalizado. Acabou por sofrer uma derrota tão pesada quanto injusta (1-3) muito à custa da soberba exibição do guardião Casillas e da classe de Solari e Zidane.

O terceiro jogo disputou-se no Estádio Vélodrome frente ao Marselha onde os azuis e brancos voltaram a deixar uma imagem muito positiva, concretizando uma exibição de grande classe, raça, determinação e coragem. Começou a perder aos 24' com golo de Drogba, mas deu a volta ao marcador por Maniche (31'), Derlei (35') e Alenitchev (81'). Marlet (84') encerrou a contagem fixando o resultado em 2-3.

Os franceses deslocaram-se ao Estádio das Antas na 4ª jornada. Era importante vencer para garantir o 2º lugar do Grupo. O Porto não só venceu como convenceu. Explanou no terreno um esquema que lhe permitiu comandar de princípio ao fim todos os parâmetros do jogo. Foi dominadora, controladora e personalizada a exibição portista. Alenitchev (20') foi o autor do golo que ditou o resultado final: 1-0.




















Equipa titular que defrontou o Marselha, nas Antas. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Jorge Costa, , Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Benny McCarthy e Costinha; em baixo: Bosingwa, Maniche, Paulo Ferreira, Derlei e Alenitchev.

A 5ª jornada levou às Antas os sérvios do Partizan. O FC Porto apresentou-se coeso, compacto e muito seguro. Tinha a consciência da importância de mais uma vitória em casa, pois esta garantiria definitivamente a passagem aos quartos-de-final. E foi o que aconteceu. McCarthy (23' e 50') fez os golos de um resultado que acabou em 2-1, com o tento forasteiro apontado aos 90' por Delibasic.

A visita a Madrid para defrontar o Real , na 6ª e última jornada da fase de grupos foi um jogo para cumprir calendário já que as equipas em presença tinham já garantido as duas primeiras posições e respectivo acesso à fase seguinte. Havia no entanto o prestígio para defender, um valor monetário para discutir e principalmente um resultado para rectificar. Foi com este espírito que os Dragões pisaram o relvado do Santiago Barnabéu.

Despidos de preconceitos ou complexos assumiram o jogo e nem o golo merengue aos 9', por Solari, conseguiu esmorecer o desejo de construir um resultado positivo e uma exibição dignificante. Apesar do empenho ainda não seria dessa vez que a vitória sorriria, mau grado as oportunidades criadas. Derlei (34') fez a igualdade de grande penalidade, tornando o FC Porto na primeira equipa portuguesa a pontuar no místico Estádio espanhol.

O Estádio do Dragão, estreado oficialmente em competições europeias, foi o palco de um jogo de sonho da 1ª mão dos oitavos-de-final. Nada mais nada menos que o colosso e milionário Manchester United de Cristiano Ronaldo, foi a vítima de um Dragão de luxo, numa noite de inspiração que desbaratou os ingleses. Pena que o resultado (2-1) tenha ficado bem longe do que seria justo, tal o banho de bola com que os portistas brindaram o seu famoso adversário. Fortune (13') inaugurou o marcador e McCarthy (28' e 77') fechou a contagem. O 2-1 acabou por ser um resultado lisonjeiro para os ingleses, deixando tudo em aberto para a 2ª mão.

Old Trafford ia receber pela sétima vez uma equipa portuguesa. As seis anteriores partidas tinham redundado em tantas outras vitórias para o Manchester United, uma das razões que levaram os ingleses a encarar esta eliminatória com muito optimismo. O estádio estava cheio e vibrante, num ambiente infernal com os cânticos característicos dos britânicos. O Porto sabia das dificuldades que iria encontrar e preparou-se anímica e tacticamente. Scholes aos 31' deu vantagem no marcador e na eliminatória, tornando o ambiente ainda mais hostil. Os Dragões sabiam que podiam fazer história e continuaram a lutar com coragem, frieza, calculismo, talento, e cultura táctica. Souberam debelar situações de apuro e puseram à prova a capacidade de sofrimento. A dois minutos do fim Costinha sentenciou a eliminatória com um golo de rara oportunidade, calando Old Trafford e deixando os adeptos ingleses com expressões de incredibilidade. Estavam abertas as portas do quartos-de-final.

Os franceses do Lyon foram os nossos adversários. Coube-lhes deslocarem-se ao Dragão , na 1ª mão, que encheu de adeptos cada vez mais entusiasmados e esperançados num bom resultado. O FC Porto adoptou neste jogo uma atitude prudente e calculista, fazendo um jogo seguro, pela certa e sem correr riscos. Confirmou o seu favoritismo marcando dois golos, por Deco (44') e Ricardo Carvalho (71').

O jogo da segunda mão não foi propriamente um passeio. Os adeptos franceses, muito ruidosos prepararam um inferno na tentativa de intimidarem os nossos jogadores. No entanto, a estatura anímica da equipa esteve à altura dos acontecimentos e cedo deixou vincadas as suas intenções de querer continuar na prova. Maniche aos 6' fez funcionar o marcador. O Lyon, apesar de mais afastado do objectivo não desistiu e deu réplica igualando o marcador aos 14'.

Vítor Baía foi na primeira parte um obstáculo importante às investidas francesas, transmitindo confiança aos companheiros. Maniche, também ele com exibição inesquecível, voltou a marcar aos 46' lançando os Dragões para uma segunda parte de grande nível onde também Deco sobressaiu. Perto do fim (86') o Lyon obteve o empate (2-2) mas ficava garantida a passagem do FC Porto às meias-finais.

O Dragão vestiu-se de gala para receber o Deportivo da Corunha na 1ª mão. O clube galego apresentou-se muito táctico, com o trabalho de casa bem assimilado, amarrando as peças criativas do FC Porto que desta forma não conseguiu produzir o futebol que estava ao seu alcance.

Mesmo assim criou mais oportunidades de golo que os espanhóis e só a actuação desastrada do árbitro alemão Markus Merk impediu que os Dragões chegassem à vitória ao não assinalar uma grande penalidade evidente. O resultado foi uma igualdade a zero a deixar grandes interrogações para o jogo em Espanha.

























Equipa titular que defrontou o Deportivo La Coruña, no Dragão. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Jorge Couto, Nuno Valente, Ricardo Carvalho e Costinha; em baixo: Deco, Alenitchev, Maniche, Carlos Alberto, Paulo Ferreira e Benny McCarthy.

Na Corunha o ambiente era de festa. A edilidade associara-se ao clube da cidade engalanando o edifício com as cores azuis e brancas do Deportivo e o estádio do Riazor apresentou-se repleto e todo vestido dessas cores onde apenas os emblemas marcavam a diferença. Lindo!

O FC Porto fez questão de mostrar porque se encontrava nesta fase da prova, oferencendo uma exibição esplendorosa e muito personalizada onde o "ninja" Derlei foi um autêntico diabo à solta deixando os galegos de cabeça perdida. O árbitro italiano Pierluigi Colina fez neste jogo o que o seu companheiro alemão não fizera no primeiro jogo. Assinalou bem uma falta merecedora de penalidade máxima que Derlei não enjeitou aos 58', colocando o Porto na final. Chegar a Gelsenkirchen deixou de ser sonho para se transformar em realidade.

De pronúncia aparentemente complicada, o nome da cidade alemã adquiriu repentinamente uma sonoridade musical que os adeptos portistas aprenderam a entoar com a habitual capacidade muito portuguesa.

Gelsenkirchen ficou na memória portista como mais uma página gloriosa a juntar a tantas outras que compõem a riquíssima história do FC Porto.


26 de Maio de 2004 foi o dia da concretização do objectivo. A cidade alemã que já todos os portistas pronunciavam com toda a facilidade, foi o destino de uma grande falange de apoio, que por todos os meios ao dispor se deslocou numa romaria entusiasta e confiante, certa de que as finais, mais do que para serem disputadas são para vencer. O adversário era o Mónaco e o Estádio Arena Aufshalk o palco.



























Na imagem da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Jorge Costa, Nuno Valente, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e Costinha; em baixo: Pedro Mendes, Maniche, Carlos Alberto, Deco e Derlei.

O dinamarquês Kim Nielsen apitou para o início e o Mónaco assustou por duas ocasiões, ambas pelo rapidíssimo Giuly, nos primeiros três minutos do encontro. Vítor Baía, bem concentrado opôs-se com toda a determinação, saindo dos postes para chegar primeiro que o avançado monegasco, numa dessas jogadas. Estas duas intervenções terão sido marcantes para o desenrolar do jogo.

O Porto assentou o seu jogo e equilibrou a partida até que aos 39' se adiantou no marcador por Carlos Alberto num remate, em posição frontal e à meia volta, ao ângulo superior esquerdo da baliza de Roma. O Mónaco bem tentou a reacção mas o Porto dominava.

O segundo golo apareceu aos 71' por Deco. Alenitchev bem lançado na esquerda, aproveitando o desbalanceamento da defesa monegasca, entrou na área e no momento certo endossou a bola a Deco que junto à marca de grande penalidade, liberto de marcação colocou a bola fora do alcance do guarda-redes, obtendo um belo golo.

O adversário acusou muito este golo e quatro minutos após Alenitchev, outra vez solto do lado esquerdo, recebeu o passe de Derlei, invadiu com decisão a área e à saída de Roma fuzilou para o 3º golo. Foi o delírio, a vitória já não podia escapar. A multidão azul vibrava, cantava, festejava.

17 anos depois o FC Porto sagrava-se Bicampeão europeu, para gáudio dos portistas e desespero dos ressabiados.



























































(Clicar no quadro para ampliar)

No conjunto das 5 provas oficiais em que o FC Porto esteve envolvido, num total de 55 jogos,  a equipa técnica liderada por José Mourinho recorreu ao contributo de 33 atletas, aqui mencionados por ordem decrescente de utilização: Paulo Ferreira (52 jogos), Maniche (50), Ricardo Carvalho (48), Benny McCarthy (47), Vítor Baía (46), Costinha e Deco (45), Nuno Valente (42), Pedro Mendes (41), Jankauskas (38), Alenitchev e Jorge Costa (32), Pedro Emanuel (31), Derlei (30), Bosingwa (24), Carlos Alberto (22), Maciel e Ricardo Fernandes (21), Marco Ferreira (19), Ricardo Costa (17), Sérgio Conceição (12), Mário Silva (10), Nuno E. Santo (9), Bruno Moraes (8), Hugo Almeida (7), Secretário e César Peixoto (5), Tiago (4), Evaldo (2), André, Furtado, Bruno Vale e Pedro Ribeiro (1).

Fontes: Baú de Memórias, de Rui Anjos; Revista Dragões; Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar.