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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

EQUIPAS DO PASSADO - DÉCADA DE 90

ÉPOCA 1999/2000

Fernando Santos, «o engenheiro do Penta», cumprira o sonho mas sentiu terem crescido as responsabilidades. Com a nova época bem delineada na sua cabeça, o treinador portista queria que a equipa começasse o campeonato a jogar da mesma forma como terminou. Pretendia uma equipa determinada, agressiva, pressionante e sempre capaz de correr mais e melhor que os adversários.

O plantel sofreu alguns ajustes, sendo as notas mais dominantes a saída de Zahovic e o regresso de Domingos.




















A época abriu com a disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, disputada em duas mãos, opondo o Campeão nacional (FC Porto) ao vencedor da Taça de Portugal (Beira-Mar).

O primeiro jogo, em Aveiro, foi muito sofrido e suado. Os aveirenses começaram por estar a vencer, mas dois minutos depois Domingos empatava, para logo a seguir Esquerdinha estabelecer o resultado final, resultado construído entre os 65 e os 69 minutos.

No Estádio das Antas, os Dragões partiam em vantagem e acabou por confirmar o favoritismo, num jogo em que a superidade portista nunca foi posta em causa. Jardel inaugurou o marcador, logo aos 5 minutos. O Beira-Mar ainda conseguiu chegar ao empate, contudo não conseguiu resistir à maior classe do campeão. Jardel voltou a marcar aos 82 minutos e dois minutos depois um auto-golo de Lobão selou o resultado final.

11ª Supertaça Cândido de Oliveira para o museu das Antas.



















Numa época altamente desgastante, não foi fácil a gestão dos objectivos a que a equipa do FC Porto se propunha alcançar.

O Campeonato nacional haveria de ser percorrido com altos e baixos, com alegrias e tristezas, mas sempre com a chama e a ambição de continuar a fazer história. A equipa bem tentou dar essa felicidade aos seus adeptos, mas por vicissitudes várias o título acabaria por fugir nas últimas jornadas. O FC Porto quedou-se pelo 2º lugar com o registo de 34 jogos, 22 vitórias, 7 empates, 5 derrotas, 66 golos marcados (melhor ataque do campeonato), 26 golos sofridos e 73 pontos, menos 4 que o Sporting.

Jardel foi, pela 4 vez consecutiva, o melhor marcador do campeonato, com o registo de 37 golos marcados.

Na Liga dos Campeões Europeus, disputada em moldes diferentes, duas fases de grupos, a primeira  constituída por 8 grupos, saindo para a segunda fase os dois primeiros classificados de cada grupo e a segunda constituída por 4 grupos, qualificando os dois primeiros para os quartos-de-final da prova.

O FC Porto, representante português na prova, começou por ser integrado no grupo E, na companhia de Molde, Olympiakos e Real Madrid.

Começou bem, com duas vitórias consecutivas, a 1ª em Molde, na Noruega, por 0-1, com golo de Deco e a segunda, nas Antas, frente ao Olympiakos, por 2-0, golos de Esquerdinha e Jardel.

























Equipa titular, frente ao Olympiakos FC. Da esquerda para a direita, em cima: Jardel, Peixe, Argel, Vítor Baía, Capucho e Jorge Costa; Em baixo: Chainho, Drulovic, Deco, Esquerdinha e Secretário.

Seguiram-se os dois confrontos com o Real Madrid. Os Dragões foram derrotados no Santiago Barnabéu, por 3-1, mas nas Antas impuseram a primeira derrota na prova, aos madridistas. 2-1 foi o resultado final, com os golos portistas a serem apontados por Jardel e o do Real Madrid, por Peixe, na própria baliza.

Depois seguiu-se o Molde, nas Antas. Vitória portista clara, por 3-1, com  2 golos de Deco e 1 de Jardel. Com o FC Porto já qualificado para a fase seguinte, os Dragões foram a Atenas com uma equipa constituídas por atletas menos utilizados e  acabou por perder, por 1-0.

Na segunda fase de grupos, o FC Porto teve a companhia de Sparta de Praga, Hertha de Berlim e Barcelona, no Grupo A.

Os azuis e brancos não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Nos 6 jogos, consentiu 2 derrotas, frente ao Barcelona e 1 empate com o Sparta de Praga, nas Antas, terminando na 2ª posição do grupo, com confortável vantagem para o 3º.

Mais uma vez duas vitórias consecutivas. Primeira em Praga, frente ao Sparta, 0-2, com golos de Drulovic e Jardel e a segunda nas Antas, frente ao Hertha de Berlim, por 1-0, golo de Drulovic.

Os confrontos frente ao Barcelona, apesar de uma boa réplica,os Dragões não foram felizes e acabaram derrotados nos dois jogos (4-2) no Camp Nou e 0-2, nas Antas).

Seguiu-se o tal empate, nas Antas, frente ao Sparta de Praga (2-2), num jogo em que os portistas estiveram a vencer por 2-0, golos de Jardel e Capucho, acabando por consentir a igualdade nos últimos minutos da partida.

A fase de grupos fechou com a visita do FC Porto a Berlim, onde triunfou por 0-1, golo de Clayton.

























Equipa titular em Berlim. Da esquerda para a direita, em cima: Jardel, Vítor Baía, Jorge Costa, Capucho, Chainho e Aloísio; Em baixo: Deco, Paulinho Santos, Secretário, Drulovic e Esquerdinha.




























Apurado para os quartos-de-final da Liga dos Campeões, coube ao FC Porto bater-se com o colosso Bayern de Munique.

Eliminatória muito equilibrada que ficou marcada pelo habilidoso árbitro escocês Hugh Dallas, que «ofereceu» a passagem às meias-finais aos alemães.

No jogo da 1ª mão, disputado no Estádio das Antas, o FC Porto libertou-se de hipotéticos receios, explorou o seu futebol e conseguiu uma das melhores exibições da época.

Os alemães nunca foram capazes de se imporem e em longos momentos da partida foram meros espectadores do espectáculo proporcionado pelos jogadores portistas.

Depois de desperdiçarem algumas boas oportunidades para marcar, o s Dragões chegaram à vantagem com um golo nascido de uma jogada muito bem construída. A bola circulou de Esquerdinha para Chainho, este endossou a Drulovic, que cruzou milimetricamente para a cabeça de Jardel, que com a sua performance habitual a colocou no fundo das malhas.

Quando tudo apontava para um segundo golo azul e branco, aos 79 minutos o Bayern empatou. Falta a meio campo favorável aos alemães, desconcentração momentânea do bloco portista, Effenberg aproveitou bem esse momento, marcando rapidamente, a bola chegou ao avançado Paulo Sérgio, que sem oposição atirou a contar, lançando um balde de água gelada nas hostes portistas. Empate imerecido e injusto face à exibição de gala do FC Porto.

Em Munique, no jogo da 2ª mão, a figura do jogo foi o árbitro escocês Hugh Dallas. O homem do apito parecia apostado em tudo fazer para favorecer o trabalho da equipa alemã. O árbitro não assinalou duas grandes penalidades, teve sempre um duplo critério na amostragem dos cartões e ainda inventou a falta de que resultou o segundo golo da vitória do Bayern. Com uma arbitragem deste calibre de nada serviu a excelente exibição portista. O resultado final foi de 2-1,  mais falso do que Judas.

Mas a época acabaria com motivos para festejos. A conquista da Taça de Portugal frente ao já campeão Sporting, no Estádio Nacional.

Para lá chegar o FC Porto teve de eliminar o Ribeira Brava, da II Divisão B (0-4 em Ribeira Brava); o Braga (4-1, nas Antas); o Fafe, da II Divisão B (3-0, nas Antas) e o Rio Ave (3-0, nas Antas).

Na final, disputada em Lisboa, no mítico Estádio do Jamor, o FC Porto apresentou-se sem complexos e começou a vencer o jogo com golo de Jardel, logo aos 3 minutos. Perdeu bons ensejos de dilatar a vantagem antes do Sporting começar a equilibrar a partida. O empate surgiu  na sequência da marcação de um livre, em que o guardião portista Hilário não foi feliz e introduziu a bola na própria baliza, aos 56 minutos. Como o empate não se desfez após o prolongamento foi necessário jogar uma finalíssima.





















Na imagem, as equipas titulares perfiladas. Da esquerda para a direita (só do FC Porto): Chainho, Capucho, Drulovic, Esquerdinha, Jardel, Rubens Júnior, Paulinho Santos, Ricardo Silva, Hilário e Aloísio. Secretário estará encoberto pois também foi titular e não é visível nesta foto.

Quatro dias depois a finalíssima, no mesmo palco, foi marcada pelo regresso de Vítor Baía à equipa portista, depois de um prolongado afastamento por lesão.

O Sporting começou melhor, mas foi Sol de pouca dura. Os azuis e brancos sacudiram a pressão e partiram para uma exibição confiante com a articulação da equipa a funcionar como um harmónio. O domínio portista foi absoluto, a exibição subiu de nível ao ponto dos mais virtuosos futebolistas portistas ensaiarem jogadas do mais belo recorte técnico. Exibição de luxo colorida com dois golos, Clayton, aos 48 minutos e Deco aos 75 minutos.














































































(Clicar no quadro para ampliar)

Nos 56 jogos oficiais, relativos às 4 provas em que o FC Porto esteve envolvido, Fernando Santos utilizou 29 atletas, aqui referenciados por ordem decrescente dessa utilização: Drulovic (53 jogos), Capucho e Jardel (51), Aloísio e Jorge Costa (49), Chainho (47), Esquerdinha (44), Paulinho Santos e Secretário (42), Deco (38), Alessandro e Peixe (34), Domingos (33), Hilário (29), Clayton, Vítor Baía e Rubens Júnior (28), Rui Barros (16), Nélson e Romeu (13), Ricardo Silva (11), Argel (10), Fehér (9), Rodolfo (7), Folha e Ricardo Sousa (5), João Manuel Pinto (4), Duda (3) e Caju (2).

Fontes: Revista Dragões e Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

EQUIPAS DO PASSADO - DÉCADA DE 90

ÉPOCA 1998/99

Concretizado e festejado o Tetra, Pinto da Costa já só pensava na época seguinte. O contrato de António Oliveira estava no fim, urgia renovar como parecia ser do interesse de ambas as partes, conforme conversas prévias antes de fechar a época.

Súbita e estranhamente Oliveira deu uma reviravolta nas suas intenções e deu o dito por não dito, decidindo não renovar. O Presidente, apelando a toda a sua astúcia e clarividência fez uma rápida opção numa aposta arrojada. Fernando Santos foi o eleito para uma verdadeira prova de fogo, tendo em conta que o treinador apenas se tinha notabilizado em equipas de média dimensão, nomeadamente no Estoril e Estrela da Amadora.

As alterações na estrutura foram inevitáveis. Na equipa técnica apenas André e Mlynarczyk resistiram. Para além do treinador principal juntaram-se ainda os novos adjuntos Rodolfo Reis e Jorge Rosário. A preparação física ficou a cargo de Roger Spry.

O plantel sofreu também alguns ajustes, face às saídas de Sérgio Conceição para a Lázio de Roma e mais tarde de Doriva, no mercado de Inverno, para a Sampdória, também de Itália.

Do lado das aquisições continuavam as apostas nos guarda-redes. O internacional jugoslavo Kralj foi desta vez o indigitado para fazer esquecer Baía. Miki Feher, Panduru, Nelson, Ricardo Sousa, Ricardo Carvalho, Chainho e no mercado de Inverno Esquerdinha foram as cara novas.

O objectivo continuava a ser o mesmo de sempre: Vencer.




















O campeonato iniciou-se nas Antas com uma vitória frente ao Rio-Ave por 4-0. A primeira fase da prova viria a revelar-se muito equilibrada e disputada. Só à 14ª jornada, o FC Porto logrou isolar-se no comando da classificação para não mais o largar.

Em 14 de Janeiro de 1999, Vítor Baía regressa a casa, por empréstimo do Barcelona, uma vez que o seu treinador Van Gaal, não lhe reconheceu os seus méritos. Assumiu a titularidade desde a 19ª jornada com uma estreia que se saldou numa goleada frente ao Beira-Mar, por 7-0.

O Boavista ainda deu alguma luta conseguindo 4 jornadas a um ponto de distância, no entanto o FC Porto embalou decisivamente para o título a partir da 26ª jornada.

De referir ainda a entrada no plantel de Deco, em Março, tendo-se estreado frente ao Braga com uma vitória por 1-0.

O Penta foi garantido na penúltima jornada na deslocação a Alvalade. O Boavista cedera um empate em Faro e foi já em clima de festa que os Dragões pisaram o relvado de Alvalade onde empataram 1-1.




















Na foto a equipa que se apresentou em Alvalade, já com o título garantido. Da esquerda para a direita, em cima: Peixe, Vítor Baía, Jorge Costa, Capucho, Jardel e Aloísio; Em baixo: Esquerdinha, Secretário, Deco, Zahovic e Drulovic.

A consagração fez-se nas Antas, frente ao Estrela da Amadora, em 30 de Maio de 1999.
Milhares de portistas acorreram ao estádio para celebrar o feito histórico e único no futebol português, o Pentacampeonato.

Os jogadores entraram pintados a preceito, evoluíram no relvado, marcaram dois golos e venceram o encontro. A festa que tinha arrancado nas bancadas, estendeu-se ao relvado e expandiu-se pelas ruas da cidade até à baixa.
















O FC Porto concluiu o campeonato com o total de 79 pontos, em 24 vitórias, sete empates e três derrotas. Marcou 85 golos e sofreu 26. Foi um campeão com a melhor defesa e o melhor ataque e ainda com o melhor goleador nacional e europeu com 36 golos: Mário Jardel.

A participação portista, na Taça de Portugal foi modesta e frustrante. Esteve apenas em duas eliminatórias, onde deixou uma imagem longínqua das suas reais capacidades, mesmo jogando nas Antas contra equipas de segundo e terceiro planos.

O primeiro adversário foi o Famalicão,  7º classificado da II Divisão B (Zona Norte), que criou muitas dificuldades a uma equipa portista mesclada com jogadores menos utilizados. A equipa visitante agigantou-se e fez dois golos que deixaram as hostes portistas incrédulas. O FC Porto conseguiu reagir e levar o jogo para prolongamento. Aí, impôs-se a lei do mais forte, mas ficou o aviso.





















O Adversário seguinte foi o modesto Torreense, a militar na II Divisão B (Zona Centro), que foi às Antas eliminar o FC Porto de forma surpreendente. A verdade é que a equipa portista, mais uma vez muito alterada na sua formação, não aprendeu nada com as dificuldades sentidas na eliminatória anterior e acabou justamente afastada prematuramente da prova, sem honra nem glória.

A Supertaça Cândido de Oliveira teve honras de abertura oficial da época. Mais uma vez disputada em duas mãos, coube ao FC Porto receber o Braga, nas Antas, em jogo da 1ª mão. Sem deslumbrar, os Dragões apresentaram os seus argumentos, dando alguns apontamentos interessantes e assumindo o comando do jogo, patenteando natural superioridade sobre o seu adversário e concretizando uma vitória justa, ainda que magra (1-0).

Foi pois com alguma expectativa que se disputou o jogo da 2ª mão em Braga. Esperava-se uma réplica tenaz da equipa minhota e foi isso que aconteceu. Ambas as equipas se apresentaram com grande pendor ofensivo, oferecendo um espectáculo intenso, interessante e emocionante. Foi o FC Porto o primeiro a chegar ao golo, mas dez minutos depois o Braga empatou na sequência de uma saída em falso do guardião portista Kralj que haveria de redimir-se ao minuto 90, ao defender uma grande penalidade, que a ser concretizada levaria a discussão do troféu para uma finalíssima. 

O empate (1-1) garantiu ao FC Porto mais um título nacional.














Na Liga dos Campeões a performance portista foi também uma desilusão face ao 3º lugar na fase de Grupos, atrás de Olympiakos e Croácia Zagrebe, ficando afastado prematuramente dos jogos mais importantes da prova rainha do futebol europeu.

A prova começou nas Antas, frente ao Olympiakos num jogo em que os azuis e brancos venciam por 2-0 a cinco minutos do fim e num ápice deixaram-se surpreender, sofrendo dois golos inadmissíveis. Balde de água fria nas aspirações portistas!

Seguiu-se a deslocação a Amesterdão, para defrontar o Ajax. Nova desilusão. Apesar de ter feito uma exibição bem positiva, a equipa portista não foi feliz e saiu derrotada com queixas da arbitragem.

Na terceira jornada, finalmente a vitória. Frente ao Croatia Zagreb o FC Porto arrancou uma exibição de gala e uma vitória clara (3-0), relançando a esperança e ambição para o objectivo de alcançar o patamar seguinte da prova.

Porém, a deslocação a Zagrebe, voltou a piorar a situação. Derrota num campo pesado e em condições atmosféricas desfavoráveis, a que se juntaram alguns percalços pouco normais, contribuíram para uma performance pouco consistente.

De mal a pior foi o que aconteceu em Atenas. Num jogo em que os portistas foram superiores, demonstrando ter melhores argumentos que o adversário, o desperdício na concretização (até um penalty se falhou) acabou por ser fatal. Derrota injusta a castigar a falta de pontaria.

A prova para o FC Porto encerraria nas Antas, frente ao Ajax. Vitória clara por 3-0, numa exibição bem conseguida, a demonstrar que os azuis e brancos eram a melhor equipa do Grupo, mas não foram capazes de o demonstrar nos momentos cruciais.


































(Clicar no quadro para ampliar)

Nos 44 jogos jogos oficiais, relativos às 4 provas em que a equipa do FC Porto esteve envolvido, Fernando Santos utilizou 30 atletas, aqui descriminados por ordem decrescente dessa utilização: Aloísio e Drulovic (42 jogos), Capucho e Jorge Costa (41), Jardel e Zahovic (39), Secretário (38), Rui Barros (31), Chainho, Fernando Mendes e Paulinho Santos (28), Doriva (24), João Manuel Pinto (22), Chippo (20), Mielcarski (17), Vítor Baía (16), Peixe e Ruo Correia (15), Quinzinho (13), Kralj e Esquerdinha (12), Artur e Panduru (10), Fehér (9), Deco (6), Nélson (4), Costinha (3), Folha e Carlos Manuel (2)e Ricardo Carvalho (1).

Fontes: Baú de Memórias, de Rui Anjos; Revista Dragões e Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

EQUIPAS DO PASSADO - DÉCADA DE 90

ÉPOCA 1997/98

As últimas conquistas nacionais tinham deixado os responsáveis portistas e seus adeptos entusiasmados e ansiosos por mais uma época futebolística, cuja meta estabelecida passava pela manutenção da ambição e vontade férrea de voltar a ganhar.

O treinador António Oliveira manteve-se no comando da equipa técnica, avaliou o plantel e fizeram-se algumas aquisições. Oito portugueses e dois estrangeiros entraram como reforços, uns logo no inicio outros já no decorrer da época.

Rui Correia (ex-Braga) e Costinha (ex-Sporting), dois guarda-redes para tentarem fazer esquecer de vez Vítor Baía, um problema ainda não resolvido.

Secretário (ex-Real-Madrid), Neves (ex-Marítimo), Gaspar (ex-Setúbal), Capucho (ex-Guimarães), Kenedy (ex-Paris St. Germain) e Peixe (ex-Sporting), mais o brasileiro Doriva e o marroquino Chippo.






















O título começou a ser desenhado durante a primeira volta, altura em que os Dragões cimentaram uma vantagem confortável de 14 pontos, que lhes permitiu gerir as emoções na recta final do campeonato, onde perderam pontos inesperados que felizmente nunca foram aproveitados pela concorrência.























Equipa que à 2ª jornada derrotou o Belenenses, nas Antas, por 2-0. Da esquerda para a direita, em cima: Lula, Paulinho Santos, Capucho, Aloísio, Jardel e Rui Correia; Em baixo: Rui Barros, Fernando Mendes, Zahovic, Drulovic e Sérgio Conceição.


A primeira derrota só aconteceu à 19ª jornada, no Restelo frente ao Belenenses, por 1-0, num jogo em que os portistas tudo fizeram para ganhar mas não tiveram a sorte pelo seu lado, para além de terem de lutar contra uma arbitragem defeituosa de um "artista" chamado José Pratas. Na jornada seguinte nova derrota, na Reboleira, diante do Estrela da Amadora, por 3-2, com mais uma arbitragem escandalosa da autoria de Jorge Coroado. Era a ajuda tentada aos perseguidores que ganhavam novas esperanças de um campeonato relançado. Voltaria a perder mais três vezes: à 26ª jornada, em Alvalade por 2-0; na 32ª jornada, na Luz por 3-0 e na 34ª e última jornada no Funchal, frente ao Marítimo por 3-2. 






















Equipa titular no jogo da Luz, com derrota por 3-0. Da esquerda para a direita, em cima: Rui Correia, Lula, Kenedy, João Manuel Pinto, Capucho e Chippo; Em baixo: Doriva, Artur, Sérgio Conceição, Paulinho Santos e Rui Barros.

Foram 5 derrotas que no final deixaram os seus adversários directos a uma pequena distância de "apenas" 9 pontos do segundo, o Benfica e 18 pontos do terceiro, o Guimarães. O Sporting acabou em quarto lugar a 21 pontos!

O tetracampeonato foi garantido na 31ª jornada, nas Antas frente ao Boavista. O Estádio das Antas encheu numa prova de confiança dos adeptos que sempre acreditaram nas potencialidades da equipa e quiseram viver a festa. Queriam principalmente "in loco" presenciar um feito histórico só antes alcançado pelo Sporting entre 1950 e 1954.

Foi um grande jogo de campeonato, com festa, espectáculo e muitos golos. Sérgio Conceição foi o primeiro a abrir a contagem, Paulinho Santos de grande penalidade aumentou o pecúlio, Martelinho reduziu para 2-1, Zahovic apontou o terceiro e já em tempo de descontos o ex-dragão Timofte encerrou a contagem em 3-2.

Para não variar, o S. João assentaria arraiais na baixa portuense com dois meses de antecedência. O último jogo nas Antas foi o penúltimo do campeonato. O vizinho Salgueiros foi o visitante. Neste jogo, o FC Porto já com o título no bornal, proporcionou uma despedida carregada de golos, de modo a acentuar nos adeptos a vontade de ver a equipa rapidamente de regresso. Jardel foi a figura do encontro ao apontar cinco dos sete golos, cimentando a sua posição de artilheiro-mor do campeonato. Foi também neste jogo que se estrearam os ex-sportinguistas Costinha e Peixe.

O jogo na Madeira, já acima referido, encerrou um campeonato em que o FC Porto se confirmou como indiscutível e claro vencedor, apesar de um número de derrotas pouco vulgar, todas fora de portas já que nas Antas os azuis-e-brancos apenas consentiram um empate frente ao Sporting. Os Dragões concluíram com 77 pontos, averbando 24 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. Foi o melhor ataque com 75 golos marcados, 26 dos quais marcados por Jardel e sofreu 38 golos, cotando-se como a sexta do campeonato! A falta de Baía era por demais evidente. Continuava a faltar um substituto à altura.

O comportamento da equipa do FC Porto, na Taça de Portugal, foi coroada de êxito, na tarde de 24 de Maio de 1998, no Estádio Nacional, com os jogadores portistas a erguerem mais um troféu.

A campanha começou no Estádio das Antas, frente ao Valonguense, da III Divisão, num jogo de sentido único, recheado de golos (8-0) e de futebol vistoso. Seguiu-se, ainda nas Antas, o Juventude de Évora, jogo marcado pela excelente exibição do goleador Mário Jardel, que só entrou depois do intervalo para estabelecer um recorde impressionante, a marcação de 7 golos em apenas 45 minutos. É obra! O resultado final foi de 9-1.

O sorteio colocou no caminho portista, o Maia, da II Divisão. O jogo disputado na Maia, acabou por revelar dificuldades inesperadas, com o resultado num surpreendente 4-4, no final do tempo regulamentar. Os Dragões decidiram a eliminatória a seu favor aos 27 minutos do prolongamento, com golo de Zahovic.

Nos quartos-de-final, o FC Porto foi a Freamunde carimbar o passaporte de acesso às meias-finais. A equipa local, da III Divisão,  não foi um adversário fácil e obrigou a equipa portista a um grande empenho para desenharem uma vitória por 4-0. Fácil também não foi o União de Leiria, adversário que se seguiu, que em sua casa se bateu com muita galhardia, tudo fazendo para tentar vencer o encontro. Os Dragões foram obrigados a trabalho suplementar, num verdadeiro jogo de Taça, com incerteza no marcador e necessidade de prolongamento. Mielcarski, aos 21 minutos desse prolongamento, sentenciou o destino da eliminatória. O resultado final de 2-3 garantia a presença portista na final.

A final entre o FC Porto e o Braga ficou para a história das grandes finais disputadas em Portugal. Duas equipas com elevada capacidade de sofrimento, fizeram uma entrega total ao jogo, construíram momentos de excepcional nível técnico e expressão plástica e provaram a razão pela qual o futebol é o maior espectáculo do mundo. 

Foi um jogo emocionante, com o FC Porto sempre em vantagem, muitas vezes dominador, altivo, e imponente na sua condição de favorito. A vitória por 3-1, assentou como uma luva na exibição de luxo portista, garantindo mais uma «dobradinha».

























Na foto a equipa que disputou a final da taça de Portugal. Em cima: João Manuel Pinto, Kenedy, Rui Correia, Aloísio e Jardel; Em baixo: Paulinho Santos, Zahovic, Drulovic, Doriva, Secretário e Sérgio Conceição.


A Supertaça Cândido de Oliveira voltou a ter honras de abertura da época. Disputada em duas mãos, coube ao FC Porto deslocar-se ao Estádio do Bessa, para esgrimir com o Boavista a 1ª Mão.

Os axadrezados apresentaram-se em estado de preparação bem mais adiantado e foi sem grande surpresa que conseguiu uma vitória tranquila, por 2-0, que no entanto deixava algumas esperanças para o jogo da 2ª Mão.

























Equipa titular, no Bessa, na 1ª Mão da Supertaça. Da esquerda para a direita, em cima: Lula, Jardel, Neves, João Manuel Pinto, Barroso e Rui Correia; Em baixo: Paulinho Santos, Sérgio Conceição, Rui Jorge, Rui Barros e Folha.

O jogo da segunda mão mostrou um FC Porto ambicioso e determinado em marcar o número de golos que revertesse o resultado desfavorável que trazia do Bessa. O início do jogo foi promissor, com um golo logo aos 7 minutos, por Fernando Mendes. Porém, muitas falhas na concretização e uma tremenda falta de sorte, associadas ao sistema ultra defensivo dos axadrezados, impediram que o FC Porto conseguisse o seu objectivo.

Em termos internacionais coube ao FC Porto integrar o Grupo D da Liga dos Campeões, juntamente com Olympiakos, Real Madrid e Rosenborg. Tendo em conta o desempenho portista na anterior edição, tudo indicava que os oitavos-de-final estariam perfeitamente ao alcance. Mas não foi assim. 

A primeira jornada levou o FC Porto até Atenas, para defrontar os gregos do Olympiakos. Sofrendo um golo logo aos 6 minutos, os azuis e brancos tomaram conta do jogo, dominaram, massacraram, mas sem acertar com o caminho para o golo, numa baliza superiormente defendida por Tchouroglou. O Olympikos marcou o golo e limitou-se a defender.


















Equipa titular em Atenas. Da esquerda para a direita, em cima: Sérgio Conceição, Rui Correia, Jardel, João Manuel Pinto, Aloísio e Folha; Em baixo: Zahovic, Drulovic, Rui Barros, Fernando Mendes e Paulinho Santos.

Na 2ª Jornada o FC Porto recebeu o todo poderoso Real Madrid. E como seria de prever, os campeões espanhóis passearam toda a sua classe pelo relvado das Antas, dominaram, estabeleceram os ritmos do jogo e marcaram (0-2) nos momentos decisivos. O FC Porto deu a réplica possível, mas a diferença de orçamento entre as duas equipas ficou bem evidente.






















Equipa titular, frente ao Real Madrid, nas Antas. Da esquerda para a direita, em cima: Kenedy, Barroso, Neves, João MAnuel Pinto, Aloísio e Rui Correia; Em baixo: Paulinho Santos, Rui Barros, Zahovic, Sérgio Conceição e Jardel.

Em condições climatéricas muito desfavoráveis, com muita neve e muito frio, o FC Porto não teve argumentos para o Rosenborg, no Estádio Lerkendal, em Trondheim. Derrota por 2-0, a terceira consecutiva na prova, numa exibição fraca.

Nas Antas, os Dragões deram a ideia que seriam capazes de concretizar a primeira vitória, mas deixaram-na escapar a dois minutos do fim, hipotecando quase definitivamente a possibilidade de se qualificar para a fase seguinte. Jardel marcou cedo, aos oito minutos e o FC Porto desde logo assumiu o comando do jogo, mas quando já ninguém esperava surgiu o golo do empate.

A primeira vitória aconteceria na 5ª jornada frente ao Olympiakos, nas Antas. Ainda assim os gregos voltaram a estar em vantagem no marcador, mas foi Sol de pouca dura. Os portistas reagiram bem, comandaram as operações e depois Jardel fez o resto, marcando os dois golos da equipa.

Na deslocação a Madrid, na última jornada, o FC Porto voltou a não ser feliz. Teve duas bolas no ferro, mostrou-se desinibido e ambicioso, mas a superioridade espanhola acabou por fazer a diferença. A derrota pesada de 4-0, não traduz a verdade do jogo.

O último lugar do grupo a 9 pontos do primeiro, diz bem da decepcionante participação portista.



































(Clicar no quadro para ampliar)

Nos 48 jogos oficiais, relativos às 4 provas em que o FC Porto esteve envolvido, a equipa técnica liderada por António Oliveira utilizou 30 atletas, aqui referenciados por ordem decrescente dessa utilização: Capucho (44 jogos), Drulovic (42), Jardel (41), Artur e Zahovic (40), Rui Correia e Sérgio Conceição (39), Aloísio (38), Paulinho Santos (37), Rui Barros (34), João Manuel Pinto (32), Fernando Mendes (28), Secretário (24), Folha (22), Chippo (20), Barroso (19), Jorge Costa (17), Doriva e Mielcarski(16), Kenedy (14), Gaspar (13), Rui Jorge (11), Neves (10), Costa (8), Lula e Butorovic (7), Eriksson (5), Hilário (4), Costinha e Peixe (1).

Fontes: Baú de Memórias, de Rui Anjos; Revista Dragões; Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

EQUIPAS DO PASSADO - DÉCADA DE 90

ÉPOCA 1996/97

As duas épocas excepcionais do FC Porto sob o comando de Bobby Robson, deram azo à cobiça do Barcelona, para onde o treinador inglês se transferiu, levando consigo o seu adjunto José Mourinho e o guarda-redes Vítor Baía.

Pinto da Costa meteu em ombros a difícil tarefa de substituir as pedras fulcrais dos últimos êxitos e como quase sempre saiu-se a contento. No novo ciclo que começava e se pretendia de continuidade de resultados, o Presidente escolheu António Oliveira como técnico principal que elegeu para adjuntos Joaquim Teixeira, André e Mlynarczik. Com um calendário muito carregado, tornava-se necessário reforçar a equipa, apetrechando-a de jogadores ambiciosos e dispostos a contribuir para manter o Clube na senda das vitórias.

Na baliza as novidades foram as entradas de Wozniak e Hilário (promovido a sénior), na defesa Lula rendeu Zé Carlos e entraram também Buturovic, Alejandro Diaz, Rui Óscar e Fernando Mendes, na linha média Wetl, Costa, Barroso, Sérgio Conceição e Zahovic e na frente Artur, Romeu e Jardel.




















O FC Porto cumpriu toda a primeira volta do campeonato sem conhecer o sabor amargo da derrota, tendo registado apenas dois empates, cedidos nas Antas (Setúbal - 1ª jornada e Estrela Amadora - 5ª jornada). As visitas a Alvalade e Luz foram coroadas de êxito com vitórias portistas por 1-0 e 2-1, respectivamente. No final da primeira metade a vantagem era já de 13 pontos.

A primeira das três derrotas surgiu à 21ª jornada frente ao Salgueiros (1-2), nas Antas, quando ninguém a esperava. Uma tarde negra para os Dragões que jogaram contra um adversário muito motivado, competente e feliz. Talvez ainda afectada por essa exibição menos conseguida, o FC Porto voltaria a perder pontos nas duas jornadas seguintes, cedendo um empate na Amadora (2-2) e nova derrota nas Antas contra o Sporting (1-2) que na altura fez reduzir a vantagem para sete pontos.

Na "mourolândia" renascia a esperança e na estação televisiva de Carnaxide exultava-se com esses resultados. Pôncio Monteiro foi disso testemunha pois era ele que galhardamente defendia o FC Porto no programa "Donos da Bola". Um programa criado para enxovalhar o bom nome do nosso Clube.

















Equipa titular que nas Antas empatou 2-2, frente ao Rio Ave: Da esquerda para a direita, em cima: Jardel, João Manuel Pinto, Barroso, Silvino, Jorge Costa e João Pinto; Em baixo: Fernando Mendes, Domingos, Paulinho Santos Drulovic e Sérgio Conceição.

Contudo, a equipa soube unir-se e recuperar forças para o assalto final rumo ao ambicionado e inédito Tri, dando resposta adequada e concludente às manobras insidiosas e patéticas de bastidores, concretizando o almejado objectivo a três jornadas do fim, no sempre difícil relvado do estádio de Guimarães. A deslocação antevia-se complicada, mas os Dragões mostraram a sua raça. Num empolgante desafio o FC Porto demonstrou quem era a melhor equipa do campeonato goleando o Vitória local por quatro golos sem resposta. Foi o delírio e o grito de raiva da população azul já enojada de tanta aleivosia.

Seguiu-se depois o jogo contra o Benfica, nas Antas e em clima de festa os portistas despacharam o seu rival com uns claros 3-1, sendo que o golo dos lisboetas foi de uma grande penalidade inventada pelo árbitro António Costa. O jogo da consagração foi nas Antas frente ao Gil Vicente. O FC Porto fechou o TRI com três golos, resultado sugestivo para gáudio do imenso público que encheu o Estádio para comemorar o feito histórico: A conquista do 1º Tricampeonato do Clube. Os Dragões concluíram o campeonato com o registo de 34 jogos, 27 vitórias, 4 empates, 3 derrotas, 80 golos marcados (melhor ataque) e 24 golos sofridos, somando 85 pontos, mais 13 pontos que o Sporting (2º) e mais 27 que o Benfica (3º). Jardel sagrou-se rei dos marcadores ao apontar 30 golos.

Na Taça de Portugal o FC Porto voltou a cair na meia-final, desta vez no estádio da Luz. Antes porém teve que eliminar alguns bons adversários. O primeiro confronto foi contra o Gil Vicente, em Barcelos, num jogo complicado que teve direito a prolongamento. Zahovic foi expulso aos 21 minutos, por acumulação de amarelos, tornando a tarefa portista mais trabalhosa. Depois de um afastamento prolongado, por lesão, o polaco Mielcarski entrou aos 115 minutos e, no primeiro remate que fez à baliza, resolveu o jogo a favor do FC Porto.

Seguiu-se nas Antas o Varzim. Desta vez não aconteceu o arrastar da incerteza, como em outros jogos. O FC Porto assumiu o favoritismo e construíram um resultado suficientemente dilatado (4-0) para não restarem dúvidas, quanto às ambições da equipa.
Os oitavos-de-final, levaram o FC Porto à Maia para defrontar o Salgueiros. A equipa portista não começou bem, ficando em desvantagem logo nos primeiros minutos do jogo. Os Dragões reagiram a preceito e o intervalo chegou com o resultado já favorável por 1-2. Na segunda metade do jogo, os azuis e brancos geriram bem o resultado, marcaram mais um golo e já no final da partida, consentiram o segundo golo do Salgueiros. Vitória final por 2-3.


O sorteio reservou para os quartos-de-final a deslocação ao Estádio 1º de Maio, em Braga, onde se esperava um confronto bem competitivo. As duas equipas não defraudaram essa expectativa e apresentaram um futebol de ataque, com espectáculo, emoção, à procura do golo como essência do jogo. Os dragões revelaram enorme confiança e construíram um jogo aberto, decidido e marcado pela positiva. Edmilson foi a seta apontada à baliza contrária e o homem do jogo ao marcar os dois golos da vitória portista. Resultado final 0-2 e passaporte carimbado para a próxima eliminatória.


Na meia-final, jogada na Luz, o FC Porto foi o primeiro a estar perto de marcar, perante um adversário inicialmente assustado e demasiado cauteloso, que se foi descomplexando com o decorrer do jogo.Acabou por ser mais eficaz na finalização e venceu por 2-0, terminando com o sonho portista.


A disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, teve a honra de abrir a época. A 1ª mão disputou-se nas Antas contra o Benfica com uma magra vitória portista por 1-0, num jogo em que os Dragões foram mais criativos, perigosos e com maior apetência pela baliza, superioridade não traduzida no resultado final, deixando antever uma segunda-mão muito disputada.

A 2ª mão, jogada na Luz, na noite de 18 de Setembro de 1996, foi a da demonstração inequívoca da classe, do mérito, da grandeza, da capacidade, da organização e da superioridade de uma equipa e de um Clube, que contra: as campanhas destabilizadoras; os programas desportivos hostis, encomendados; a inveja sem pudor; as frustrações evidenciadas por quem se vê ultrapassado e ainda contra a maledicência e a mentira, infligiu ao clube do regime, na sua própria casa, uma goleada humilhante: 5-0!


O jogo foi transmitido em directo pela RTP1 e foi evidente o desconforto manifestado pelos comentadores de serviço, face a uma vitória e uma exibição arrasadoras. Foi a conquista do 8º troféu em dezasseis disputados.















Na foto, da esquerda para a direita, em cima: Fernando Mendes, Sérgio Conceição, Rui Barros, Zahovic e João Manuel Pinto;  Ao meio: Lula, Jardel, Reinaldo Teles (Director), Oliveira (Treinador), Paulinho Santos e Wozniak; Em baixo os marcadores dos cinco golos: Artur, Edmilson, Jorge Costa, Wetl e Drulovic;

Em termos europeus, coube ao FC Porto a representação portuguesa na Liga dos Campeões. Integrado no grupo D, com a companhia do AC Milan, IFK Gotemburgo e Rosemborg, o desempenho portista foi surpreendente. Terminou a fase de grupos em primeiro lugar, com 16 pontos, fruto de 5 vitórias e 1 empate. O segundo classificado ficou a 7 pontos!

A campanha começou em Milão, no estádio Giuseppe Meazza,  com uma saborosa vitória por 2-3. Numa noite memorável e histórica, o FC Porto esteve duas vezes a perder mas teve sempre talento e ambição para terminar o jogo em vantagem no marcador. Jardel foi o homem do jogo ao apontar 2 golos, ele que só entrou aos 61 minutos.



























Equipa titular que derrotou no Giuseppe Meaza o AC Milan. Da esquerda para a direita, em cima: Lula, Edmilson, Wozniak, Barroso, Jorge Costa e Aloísio; Em baixo: Sérgio Conceição, Fernando Mendes, Zahovic, Artur e Paulinho Santos.

Seguiu-se a visita dos suecos do IFK Gotemburgo, ao estádio das Antas. Num jogo emocionante em que as duas equipas entraram dispostas a arriscar, as oportunidades de golo sucederam-se,  com maior percentagem para os Dragões, pecando por escasso o resultado final (2-1 a favor do FC Porto).


























Equipa titular que defrontou o IFK Gotemburgo, nas Antas. Da esquerda para a direita, em cima: Jardel, Lula, Edmilson, Wozniak, Jorge Costa e Aloísio; Em baixo: Sérgio Conceição, Zahovic, Artur, Paulinho Santos e Rui Jorge.

Na 3ª jornada o FC Porto deslocou-se à Noruega para defrontar o Rosenborg. Terceira vitória consecutiva na prova, com golo de Jardel. A equipa portista manteve sempre uma supremacia clara, desperdiçou algumas boas oportunidades de golo e só aos 89 minutos conseguiu o golo da justa vitória.

Na jornada seguinte coube ao FC Porto receber os noruegueses. Mais uma vez a equipa esteve à altura dos acontecimentos, brindando o seu adversário com três golos sem resposta e somando a 4ª vitória consecutiva. Zahovic, Drulovic e Artur foram os autores dos golos.
























Equipa titular que venceu nas Antas, o Rosenborg. Da esquerda para a direita, em cima: Hilário, Zahovic, Edmilson, Jorge Costa, Aloísio e João Pinto; Em baixo: Drulovic, Rui Barros, Fernando Mendes, Artur e Paulinho Santos.

Na penúltima jornada, os azuis e brancos receberam a visita do AC Milan. Já com os oitavos assegurados, os Dragões procuravam garantir a primeira posição do grupo. Num jogo de campo inclinado pela desastrosa actuação do árbitro austríaco Gerd Grabher, que tudo fez para que a turma transalpina não saísse derrotada do estádio das Antas, o FC Porto não conseguiu melhor que um empate (1-1), cedendo os primeiros pontos.

Na 6ª e última jornada o FC Porto voltou às vitórias, conseguindo o quinto triunfo, desta vez em Gotemburgo, por 0-2, com golos de Jardel e Edmilson. Objectivo alcançado com distinção, pois à passagem aos oitavos somou o primeiro lugar destacado no grupo.

O mês de Março acabaria no entanto por ser fatídico quanto às aspirações portistas, que entretanto, tinham subido a fasquia, apesar do forte adversário em sorte. Nada mais nada menos que o todo poderoso Manchester United. Talvez amedrontados pelo ambiente de Old Trafford, os Dragões acabaram cilindrados por um futebol tipicamente britânico, onde tudo correu mal, falhando um golo quase certo no primeiro minuto do jogo. Derrota pesada por 4-0, que sentenciava o destino da eliminatória.






















Equipa titular que foi goleada em Old Trafford. Da esquerda para a direita, em cima: Hilário, Sérgio Conceição, Barroso, Jorge Costa, Edmilson e Aloísio; Em baixo: Drulovic, Zahovic, Costa, Artur e Paulinho Santos.

Na segunda mão, o FC Porto conseguiu de algum modo repor a sua verdadeira imagem, discutindo o jogo taco a taco, mas evidentemente, os minutos corriam a favor dos ingleses. Abundaram as oportunidades, mas faltaram os golos, daí o 0-0 final e o conformismo.





































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Nos 49 jogos oficiais, relativos às 4 competições em que o FC Porto esteve envolvido, António Oliveira utilizou 29 atletas, aqui referenciados por ordem decrescente dessa utilização: Jardel e Paulinho Santos (44 jogos), Artur, Drulovic e Edmilson (42), Jorge Costa e Zahovic (39), Barroso, Aloísio e Sérgio Conceição (38), Rui Barros (36), Fernando Mendes (35), Hilário (26), João Manuel Pinto (25), Folha (20), Domingos (19), João Pinto (17), Rui Jorge e Mielcarski (15), Wetl (14), Wozniak (12), Silvino (10), Lula e Costa (8), Butorovic (5), Bino (4), Rui Óscar (2), Alejandro Diaz e Eriksson (1).

Fontes: Baú de Memórias, de Rui Anjos; Revista Dragões e Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar.