terça-feira, 12 de novembro de 2013

EQUIPAS DO PASSADO - DÉCADA DE 90

ÉPOCA 1993/94

A intenção de Pinto da Costa era manter o treinador bicampeão nacional Carlos Alberto Silva, mas problemas familiares evocados pelo treinador brasileiro para não continuar, levaram o presidente a contratar o seu conhecido Tomislav Ivic.

Com o propósito de economizar e manter um grupo competitivo, a aposta foi na «prata da casa», que reunia um punhado de jovens atletas da formação, todos eles talentosos e ambiciosos.

















Da esquerda para a direita, em cima: Funcionário não identificado, Vítor Nóvoa, Tozé, Aloísio, Vítor Baía, Jorge Costa, Semedo, Jorge Couto, Kostadinov, Cândido, Fernando Couto e Paulo Pereira; Ao meio: Agostinho (roupeiro), Toni, Domingos, Inácio (adjunto), Luciano D'Onófrio (director), Pinto da Costa (Presidente), Tomislav Ivic (treinador), Vítor Frade (preparador físico), Murça (adjunto) Timofte, Rodoldo Moura (massagista), Dr. Domingos Gomes (médico) e Jorge Gomes (relações públicas); Em baixo: José Luis (massagista), Vinha, Bandeirinha, Rui Filipe, Rui Jorge, Zé Carlos, João Pinto, Folha, Jaime Magalhães, André, Neves, Paulinho Santos, Secretário e Fernando Brandão (roupeiro).


O objectivo principal era naturalmente a conquista do tão desejado "TRI" e somar a este todos os outros possíveis.

O Campeonato arrancou logo com um jogo grande, no Estádio das Antas. FC Porto e Benfica proporcionaram um espectáculo emotivo e um resultado raro no campeonato português (3-3), com os Dragões a adiantarem-se no marcador (Vinha aos 8'), deixando-se  empatar primeiro (Isaías 23') e depois ficar em desvantagem (Rui Águas 25'). Paulo Pereira repôs a igualdade (61'), Isaías voltou a dar vantagem ao Benfica (63') e finalmente, de novo Paulo Pereira, de grande penalidade, selou o resultado final (70').

























Equipa titular da 1ª Jornada. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Fernando Couto, Vinha, Aloísio e João Pinto; Em baixo: Semedo, André, Folha, Jaime Magalhães e Kostadinov.

Mas as modestas exibições cedo mostraram as dificuldades que a equipa haveria de atravessar. Com um sistema de jogo muito defensivo e virado para o contra ataque, como Ivic sempre defendeu, o FC Porto foi perdendo pontos, com adversários dos mais acessíveis e foi hipotecando as possibilidades de voltar a ser campeão. O técnico croata acabou mesmo por por o seu lugar à disposição, nos finais de Janeiro de 1994 e Pinto da Costa, aproveitando o despedimento de Bobby Robson do Sporting, não se fez rogado, contratando-o de imediato.

O técnico inglês impôs um futebol muito mais vistoso e produtivo, do ponto de vista atacante e ganhou a simpatia dos adeptos portistas, colocando a equipa na discussão do título até ao fim.

Pegou na equipa no dia 25 de Janeiro de 1994 e orientou do banco o jogo para a Taça de Portugal, em Vidal Pinheiro, frente ao Salgueiros. Seguiu-se depois a deslocação ao estádio da Luz, onde os Dragões foram derrotados por 2-0 e ficaram a uma distância de seis pontos da liderança, apesar das boas indicações dadas nesse jogo.

A vitória no Campeonato chegou a estar mais perto, mas um inesperado empate em Guimarães, na 30ª jornada, deitou tudo a perder.

O FC Porto acabaria na 2ª posição, com um registo de 34 jogos, 21 vitórias, 10 empates, 3 derrotas, 56 golos marcados, 15 sofridos, somando 52 pontos, menos 2 que o Benfica.

A Taça de Portugal constituiu uma caminhada vitoriosa. Começou algo periclitante, apesar do primeiro adversário ser do escalão inferior,  chamar-se Académico de Viseu e o jogo se ter disputado nas Antas. O jogo tornou-se complicado pois teve de ir a prolongamento, face ao empate (2-2), no tempo regulamentar. Depois tudo foi mais fácil. O Académico não resistiu à maior capacidade física e técnica dos azuis e brancos e sofreram mais 3 golos.

Seguiram-se Guimarães (vitória 1-2) e Salgueiros (vitória 0-2), ambos jogados fora de casa.

Nos quartos-de-final, O FC Porto recebeu e bateu o Desp. das Aves, por 6-0.




















Equipa titular que derrotou o Desp. das Aves, nos quartos-de-final da Taça de Portugal. Da esquerda para a direita, em cima: Jorge Couto, Cândido, Jorge Costa, Paulo Pereira, Aloísio e Domingos; Em baixo: Drulovic, Paulinho Santos, Secretário, Kostadinov e Timofte.

O estádio José Gomes foi o palco do jogo das meias-finais, frente ao Estrela da Amadora. Vitória portista por 1-2, com direito a jogar a final no Jamor, contra o Sporting.

Para decidir o vencedor do troféu foram necessários dois jogos. Disputado sob uma temperatura elevadíssima, nenhuma das equipas quis arriscar muito. Ficou evidente um grande respeito mútuo. O zero a zero não foi desfeito nem mesmo no prolongamento pelo que foi necessário disputar uma finalíssima.

No tira-teimas, o FC Porto mostrou ser melhor equipa. Apresentou melhores argumentos, mais potencialidades e melhor capacidade de reacção. Ainda assim voltou a ser necessário o prolongamento, face ao empate (1-1), durante o tempo regulamentar.

No primeiro minuto do prolongamento, um remate de cabeça de Vinha, foi defendida com as mâos por Peixe, dando origem a uma grande penalidade que Aloísio converteu, garantindo a conquista do troféu.




















Equipa titular na finalíssima. Da esquerda para a direita: Timofte, Drulovic, Secretário, Vítor Baía, Paulinho Santos, André, Folha, Aloísio, Rui Jorge, Fernando Couto e João Pinto.


A Supertaça Cândido de Oliveira, frente ao Benfica, jogada em duas mãos, foi o troféu que abriu a temporada competitiva. Na primeira mão o FC Porto deslocou-se à Luz e quando já pouca gente acreditava que o resultado funcionasse, o Benfica conseguiu marcar o golo, ao cair do pano (84'). Jogo incaracterístico que não permitiu tirar grandes conclusões acerca do comportamento futuro das duas equipas, mas com resultado a deixar tudo em aberto para a 2ª mão.

Por coincidência, ou não, também nas Antas, o resultado final (1-0 para o FC Porto) foi marcado a poucos minutos do final da partida (84').

Ficaram assim as equipas obrigadas a um terceiro jogo, para desempate, mas que por impossibilidade de encontrar data propícia ficou adiado para a época seguinte.

Em termos internacionais, o FC Porto, ostentando as insígnias de campeão português, disputou a Liga dos Campeões da UEFA.

O sorteio colocou no caminho dos Dragões os malteses do Floriana. De nível nitidamente inferior, deslocaram-se, na 1º mão, às Antas com a única preocupação de defender. O autêntico ferrolho (hoje conhecido por autocarro), não impediu a vitória portista por 2-0, resultado que acabaria por decidir a eliminatória, já que na 2ª mão, em Malta, o ferrolho funcionou melhor e o resultado ficou em branco (0-0).






















Equipa titular que jogou em Malta. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Secretário, Zé Carlos, Aloísio, Kostadinov e João Pinto; Em baixo: Rui Jorge, Folha, Rui Filipe, Paulinho Santos e Semedo.

O sorteio para a segunda eliminatória colocou na rota portista os holandeses do Feyenoord. Na  1ª mão, jogada nas Antas, os holandeses utilizaram um sistema habitualmente utilizado por equipa de menor capacidade. Irritantes e duríssimos,  os jogadores do Feyenoord tiveram um único objectivo, queimar tempo e evitar, a qualquer custo, sofrer golos. Tivera também a preciosa ajuda da equipa de arbitragem, bastante condescendente, mas nem assim evitaram a derrota por 1-0, com golo de Domingos aos 90 minutos.

Na 2ª mão, em Roterdão, os holandeses receberam os Dragões num clima hostil e arrogante, mas os comandados de Ivic responderam com muita união e humildade. A equipa evidenciou uma notável capacidade de sofrimento, aguentou todas as provocações, mantiveram-se firmes e as suas redes invioláveis. Empate a zero que qualificou a turma portuguesa para a fase de grupos.

Werder Bremen (Alemanha), AC Milan (Itália) e Anderlecht (Bélgica), foram os parceiros no Grupo B.

O primeiro jogo trouxe às Antas os alemães do Werder Bremen. Era importante vencer os jogos em casa para melhor posicionar a equipa para a obtenção de um lugar nas meias-finais. Os alemães, apesar de terem estado a perder por 3-0, nunca deixaram de ser uma equipa incómoda e fizeram tremer os Dragões. O resultado final cifrou-se num tangencial 3-2, que reflecte a verdade do jogo.

Seguiu-se a visita ao mítico Giuseppe Meazza, para defrontar o forte e favorito AC Milan. Foi um jogo em que tudo correu mal aos portistas, que acumularam erros defensivos primários, que a este nível se pagam muito caros. Os italianos, sem terem que se superar, aproveitaram na perfeição esses erros e construíram um resultado volumoso e confortável (3-0).

Na 3ª jornada, nova deslocação, desta vez à Bélgica. Quando já tudo indicava que o FC Porto conseguiria manter o nulo no marcador, eis que, aos 87 minutos surgia o golo do Anderlecht, frio, seco, inesperado e injusto. Derrota por 1-0, apesar do bom rendimento da equipa.

Na jornada seguinte o FC Porto pode vingar aquela derrota traiçoeira, recebendo e batendo o mesmo Anderlecht, por 2-0. Drulovic e Secretário foram os justiceiros.



























Equipa titular que derrotou nas Antas o Anderlecht. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Semedo, Timofte, Jorge Costa, Aloísio e João Pinto; Em baixo: Drulovic, Secretário, Domingos, André e Rui Jorge.


A 5º Jornada constituiu um marco histórico para o FC Porto na Europa, na sua deslocação à Alemanha para defrontar o Werder Bremen, que nas Antas tinha dificultado, e muito, a vitória portista. Esperava-se por isso um jogo muito complicado e equilibrado. O FC Porto esteve porém numa noite inesquecível. Com os seus jogadores libertos de complexos, iluminados pelo talento e agora orientados por um grande senhor do futebol mundial, «Sir» Bobby Robson, os Dragões brilharam e construíram um resultado dilatado e surpreendente (0-5). Terá sido a primeira vez na história que uma equipa portuguesa marcou cinco golos sem resposta a uma equipa alemã e ainda por cima no reduto do adversário. A proeza foi ainda mais extraordinária por se tratar «apenas» do campeão nacional da Alemanha.






























O Capitão João Pinto troca cumprimentos e galhardetes com o capitão alemão.

A 6ª e última jornada trouxe ao Dragão o AC Milan, jogo que iria decidir o vencedor do grupo. Foi um espectáculo fabuloso onde apenas faltou um pequeno lampejo de sorte para que a igualdade a zero fosse desfeita, a favor do FC Porto. A exibição portista merecia melhor sorte, mas o empate acabou por qualificar a equipa para as meias-finais da prova.

Foi o Barcelona que cruzou o caminho da equipa portista, com os azuis e brancos a terem de discutir a eliminatória, em apenas uma mão, no Camp Nou, onde os locais se apresentaram como favoritos e comprovaram-no em campo. 3-0 foi o resultado, sem contestação, face à superioridade territorial demonstrada pelo categorizado adversário, terminando assim com o sonho portista.







































(Clicar no quadro para ampliar)

Nos 54 jogos oficiais, relativos às 4 provas em que o FC Porto esteve envolvido, foram utilizados 29 atletas, aqui referenciados pela ordem decrescente dessa utilização: Vítor Baía (51 jogos), Aloísio, (50), João Pinto (49), Srcretário (46), Fernando Couto, Semedo e Rui Jorge (40), Kostadinov (37), Paulinho Santos (33), Domingos e Timofte (32), Drulovic (31), André (30), Folha (29), Rui Filipe (28), Jorge Costa e Jorge Couto (22), Vinha (19), Zé Carlos (18), Jaime Magalhães (16), Paulo Pereira (15), Bandeirinha (8), Toni (4), Cândido (3), Mihtarsky (2), Carlos Filipe, Tozé, Madureira e Edgar (1).

Fontes: Revista Dragões e Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

GOLEADORES PORTISTAS - Nº 30












NOÉ - Goleador Nº 30

Apontou 57 golos, nos 73 jogos em que participou com a camisola do FC Porto, durante as 5 épocas ao seu serviço (1957/58 a 1961/62).

Noé Pinheiro de Castro, nasceu em 21 de Março de 1935 e foi um ponta de lança, com excelente jogo de cabeça, o que lhe permitia rentabilizar os centros milimétricos de Carlos Duarte e Hernâni.

Chegou ao FC Porto com 22 anos e estreou-se oficialmente com o emblema do Dragão ao peito, no dia 3 de Novembro de 1957, no Campo da Mata, nas Caldas da Rainha, em jogo da 9ª jornada do Campeonato nacional, entre o Caldas e o FC Porto, com vitória portista por 1-3. Noé foi o autor do 2º golo, neste jogo. Era então treinado pelo  «homem do chicote» o brasileiro Dorival Yustrich.

Foi aliás o único encontro para o campeonato, nessa primeira época, tapado que estava por Osvaldo Silva que não lhe dava hipóteses. O FC Porto terminou nessa temporada em 2º lugar com os mesmos pontos do campeão Sporting. Foi ainda utilizado na Taça de Portugal, por uma ocasião, mais precisamente no dia 20 de Abril de 1958, no Funchal frente ao Marítimo, jogo dos quartos-de-final, que o FC Porto venceu, por 1-3. Essa utilização valeu-lhe o seu primeiro título nacional, já que o FC Porto foi o justo vencedor da Taça de Portugal, eliminando nas meias-finais o Sporting (2-2 em Alvalade e 3-0, nas Antas) e batendo na final, no Jamor, o Benfica, por 1-0.
























Na época seguinte (1958/59), também não começou como titular, com o novo treinador, o brasileiro Otto Bumbel, que só orientou a equipa até finais de Outubro. Foi com o húngaro Bela Guttmann, que Noé teve mais hipóteses de jogar e mostrar o seu oportunismo para fazer golos de cabeça. Nessa época concretizou 26 golos, mas foi Teixeira, com 35 golos apontados o melhor marcador portista.

O FC Porto foi campeão nacional em igualdade pontual com o Benfica e Noé comemorou o seu segundo título da sua carreira.













Títulos ao serviço do FC Porto (2):
1 Campeonato Nacional (1958/59)
1 Taça de Portugal (1957/58)

Fontes: FC Porto -Figuras e Factos, de J.Tamagnini Barbosa e Manuel Dias; Almanaque do FC Porto, de Rui Rui Miguel Tovar.

domingo, 10 de novembro de 2013

MISSÃO CUMPRIDA NO ESSENCIAL















FICHA DO JOGO


























Sem fazer uma exibição perfeita, longe disso, o FC Porto cumpriu no essencial a sua missão, vencendo de forma quase serena, o Vitória de Guimarães, que esteve muito aquém do que dele se esperava, apesar da sua juventude e de ter tido um jogo complicado a meio da semana.

Num relvado pesado, mas não tanto como se esperava, caso tivesse chovido, Paulo Fonseca fez alinhar a equipa mais representativa, desta época, com a novidade de Fabiano na baliza (não no que diz respeito a esta prova), conforme aliás sugeria a sua convocatória.


























Da esquerda para a direita, em cima: Fabiano, Fernando, Danilo, Jackson Martinez, Mangala e Otamendi; Em baixo: Defour, Josué, Lucho Gonzalez, Alex Sandro e Silvestre Varela.



Os Dragões entraram decididos a tomar conta das operações e durante toda a primeira parte conseguiram o domínio completo do jogo e praticar, em alguns períodos, futebol fluído e ligado. Conseguiu marcar dois bons golos e construir mais três ocasiões para dilatar o resultado, sem que os vimaranenses tivessem hipóteses de ripostar.

Com Fernando e Lucho a pautarem o jogo portista, a bola apareceu jogável, desta vez com mais frequência, ainda que se verificassem um sem número de passes mal efectuados (ora com força insuficiente, ora com demasiada), algumas más recepções e perdas de bola, opções erradas (remates quando se pedia assistência e vice versa), enfim, alguma confusão naquelas cabeças ainda pouco confiantes.

Fernando finalmente descobriu que jogar para a frente é o caminho mais curto para o golo, golo esse de se tirar o chapéu, numa jogada de combinação com Lucho (o trinco portista passou a bola a El Comandante, desmarcou-se em progressão, recebeu mais à frente e sob a direita, à entrada da área, levantou a cabeça e atirou cruzado, fazendo a bola sobrevoar Assis, para um golo de belo efeito.























Na primeira oportunidade o golo. Já Jackson não foi tão feliz nas suas tentativas de marcar. Por duas vezes, em dois bons remates a bola fugiu das redes, como o diabo da cruz. Mangala também experimentou um remate de bicicleta que passou rente ao ferro. Mas haveria de fazer o gosto ao pé numa jogada corrida do ataque portista, com Defour a lançar para a entrada de Lucho Gonzalez e este a servir mais à esquerda, de forma magistral o avançado colombiano que na passada atirou certeiro.  Estava feito o segundo golo que o FC Porto fez por merecer. A seguir veio o intervalo e com ele a perda do interesse desta partida.























É que na segunda metade o jogo caiu numa mediocridade pouco comum, principalmente para uma equipa que ostenta as insígnias de bicampeão nacional. Sei que tiveram um jogo exigente no meio da semana, que as condições do terreno do D. Afonso Henriques não eram as melhores, mas que diabo, baixar o nível daquela maneira é coisa para equipas de outro estatuto.

A vulgaridade tomou conta dos jogadores portistas, afinal os mais responsáveis pela prática do melhor futebol, e foi penoso ver atletas tão talentosos ter atitudes perfeitamente dispensáveis e muito pouco recomendáveis. Provocar cartões amarelos, por queimar tempo? (Fabiano, Defour e Josué). Ser expulso por mera ingenuidade? (Mangala). Enfim, algo que julgava ser possível apenas em equipas e jogadores sem ambição nem vergonha. Nesta conjuntura, as oportunidades dadas por Paulo Fonseca a Kelvin e Carlos Eduardo, no decorrer da segunda parte, acabaram diluídas nesta confusão, sem honra nem glória e sem possibilidades para se aferir o que quer que seja.

























O Guimarães aproveitou este período de indefinição portista para aparecer mais um pouco em jogo, mas diga-se em abono da verdade, sempre com mais raça que talento. Aliás a equipa minhota foi uma autêntica desilusão. Mesmo em vantagem numérica nunca foi capaz de criar uma verdadeira ocasião de golo.

A vitória final acaba por premiar o melhor desempenho da primeira parte, altura em que Fernando voltou a ser o Polvo e Lucho o maestro. 

sábado, 9 de novembro de 2013

DIFICULDADE MÁXIMA EXIGE A MELHOR EQUIPA








O FC Porto vai confrontar-se com novo desafio de dificuldade considerável, acrescida com o fraco estado do relvado do D. Afonso Henriques. Tendo em conta que a conquista da Taça de Portugal é um dos objectivos para esta época, convém não facilitar.

Os Dragões continuam a passar por um período complicado, com um futebol ainda pouco consolidado, com muitas falhas e algumas hesitações, que têm provocado alguns dissabores inusitados, como se sabe.

Paulo Fonseca não mexeu muito na convocatória para este jogo, onde a maiores novidades são a inclusão do guarda-redes Bolat e do jovem Kelvin. Para além destes, e em relação ao jogo contra o Zenit, há ainda a registar os regressos de Herrera e Carlos Eduardo (ambos impedidos, por razões diferentes, para esse jogo). De fora ficaram Helton, Reyes, Mikel e Licá.

Tudo leva a crer que o técnico portista apostará na constituição do onze mais rotinado, para evitar surpresas desagradáveis, e se a marcha do marcador proporcionar, poderá então dar oportunidades a três dos menos utilizados, primeiro pela previsível competitividade do adversário e depois porque vai seguir-se um interregno nas competições, razão pela qual não faz sentido grandes poupanças.

LISTA COMPLETA DOS CONVOCADOS




















EQUIPA PROVÁVEL






















COMPETIÇÃO: Taça de Portugal - 4ª Eliminatória
PALCO DO JOGO: Estádio D. Afonso Henriques - Guimarães
DATA E HORA DO JOGO: Domingo, 10 de Novembro de 2013, às 19:30 h
ÁRBITRO NOMEADO: Jorge Sousa - A. F. Porto
TRANSMISSÃO: SportTvLive

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

LUCHO GONZALEZ MAIS PERTO DO PÓDIO
























Com o golo marcado em São Petersburgo, «El Comandante» aproximou-se do pódio dos melhores marcadores portistas nas provas da UEFA.

Soma agora 13 golos, apontados com a camisola do FC Porto, ultrapassando Pena e Deco, com 12 golos. Partilha o 7º lugar com Lisandro Lopez e está apenas a um golo de igualar Madjer e Derlei, que contam 14 golos. Hulk, seu último adversário, aparece logo a seguir com 15. 






























O médio argentino é o único do Top Ten, que ainda faz parte do plantel, reunindo por isso condições para melhorar a sua marca.

Lucho Gonzalez, enquanto jogador do FC Porto participou até agora em 44 jogos, dois dos quais da Liga Europa e os restantes da Champions League, estreando-se em Glasgow, frente ao Rangers, a 14 de Setembro de 2005. O seu primeiro golo foi apontado no jogo seguinte, no Estádio do Dragão, frente ao Artmédia.

El Comandante,  foi titular em 43 ocasiões e 9 vezes substituído. Saltou do banco uma vez, para fazer a segunda parte num dos jogos frente ao Arsenal. 


































(Clicar no quadro para ampliar)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

EQUIPAS DO PASSADO - DÉCADA DE 90

ÉPOCA 1992/93

Sem grandes alterações no plantel, que Pinto da Costa fez questão de preservar no essencial, o FC Porto era à partida um dos principais candidatos ao título nacional.

Carlos Alberto Silva continuou no comando técnico, com ambições redobradas mas ciente no recrudescer das dificuldades e das responsabilidades que a conquista do campeonato lhe conferira.



















Da esquerda para a direita, em cima: Jorge Silva, Timofte, Bino, Vlk, Jorge Costa, Fernando Couto, Vítor Baía, Aloísio, Semedo, Rui Jorge, Tozé e Valente; Ao meio: Agostinho (roupeiro), Luis César (secretário), Paulinho César, Hernâni Gonçalves (adjunto), Carlos Alberto Silva (treinador), Pinto da Costa (presidente), Reinaldo Teles (director), Murça (adjunto), Jaime Magalhães, Rodolfo Moura (massagista), Dr. Domingos Gomes (médico) e Jorge Gomes (relações p«ublicas); Em baixo: Domingos, Kostadinov, Zé Carlos, Rui Filipe, Bandeirinha, Toni, Neves, André, Jorge Couto, João Pinto, Paulinho Santos e Fernando Brandão (roupeiro).

O campeonato foi uma luta cerrada, a determinada altura marcada pela incerteza, num autêntico braço de ferro com o Benfica. Foram 34 jornadas duras, carregadas de dificuldades, que só uma equipa bem preparada e forte espírito de grupo conseguiria superar.


















Equipa titular que em Coimbra venceu o Estoril, por 1-0, na 1ª jornada. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Zé Carlos, Semedo, Vlk, Jorge Costa e João Pinto; Em baixo: Domingos, Rui Filipe, André, Paulinho César e Jorge Costa.

A primeira metade da prova foi concluída já no comando, com empate em Alvalade e vitória nas Antas frente ao Benfica. Apesar das três derrotas averbadas em Santo Tirso, no Bessa e nas Antas, esta frente ao Famalicão, ainda assim, o FC Porto acabaria por cotar-se como a equipa mais regular da prova.

































Equipa titular que na 11ª jornada derrotou o Benfica, nas Antas, por 1-0. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Jorge Costa, Semedo, António Carlos, Aloísio e João Pinto; Em baixo: Bandeirinha, Domingos, André, Rui Filipe e Kostadinov.

À 27ª jornada, os Dragões dividiam o comando com o Benfica, mas com vantagem nos resultados entre si. Na semana seguinte jogava-se aquele que poderia ser o jogo do titulo, o Benfica-Porto, na Luz. Quem perdesse ficaria em maus lençóis. Por isso o jogo tornou-se muito táctico, feio, quezilento e pouco agradável à vista, acabando  com uma igualdade, sem golos,  que favorecia mais o FC Porto.

A parte final do campeonato ficou em brasa quando à 29ª jornada, os azuis e brancos cederam um empate, contra o Boavista, jogado em Coimbra, por interdição do Estádio das Antas, resultado que relegou os campeões nacionais para o 2º lugar.

A equipa não se deixou abater, continuando a acreditar na vitória final. O Benfica cedeu em Aveiro, na 31ª jornada e os Dragões aproveitaram para voltar ao comando da classificação, agora com mais um ponto. Num final cada vez mais emocionante, os azuis e brancos demonstraram mais competência, apresentaram mais argumentos e na penúltima jornada confirmaram o objectivo, aproveitando nova escorregadela do seu rival, no Estoril. A vantagem dilatou-se então para dois pontos, pelo que, a última jornada, nas Antas frente ao Marítimo serviu apenas para comemorar mais um título nacional, premiando todo o esforço e ambição.






















Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Fernando Couto, Semedo, Aloísio e João Pinto; Em baixo: Timofte, André, Domingos, Jaime Magalhães, Rui Filipe e Kostadinov.

O desempenho portista nas 34 jornadas cifrou-se em 24 vitórias, 6 empates, 4 derrotas, 59 golos marcados, 17 sofridos (melhor defesa) e 54 pontos, mais dois que o Benfica e mais 9 que o Sporting.

Na Taça de Portugal a trajectória portista foi curta. Recebeu e eliminou o Juventude de Évora, com uns claros 4-0, mas na eliminatória seguinte recebeu o Benfica, nas Antas, não conseguindo melhor que um empate, por 1-1, após prolongamento, obrigando a jogo de desempate, na Luz. Aí, o FC Porto foi derrotado por 2-0 e eliminado precocemente da prova.

A Supertaça Cândido de Oliveira teve nesta época duas edições. Como ainda devem estar recordados, o jogo de desempate entre Porto e Benfica, não se chegou a disputar na época anterior. Assim, os clubes acordaram em disputá-lo em 9 de Setembro de 1992, em Coimbra.

Foi uma vitória do querer e da humildade de quem acreditou até ao fim que a vitória teria de nos pertencer. Por duas vezes o FC Porto esteve em desvantagem no marcador. Primeiro tiveram de anular a desvantagem, chegando à igualdade (1-1), que obrigaria a prolongamento. Depois, na marcação das grandes penalidades, souberam ter a serenidade suficiente para transformar em vitória o que chegou a parecer uma derrota inglória. João Pinto  (defesa de Silvino) e Fernando Couto (por cima) falharam as duas primeiras, contra duas concretizadas por William e Rui Águas. Parecia tudo perdido. Mas nas três restantes a recuperação. Aloísio, André e António Carlos concretizaram pelo FC Porto, enquanto no Benfica, Kulkov concretizou, Isaías (por cima) e Hélder (defesa de Baía) falharam, colocando nova igualdade no marcador. Na segunda série quem falhasse perderia. Mostovoi permitiu a defesa de Baía e Paulinho César não falhou. Vitória final 4-3, nas penalidades e título para o FC Porto, mais um.
























Os Dragões Voltariam a entrar em cena, nesta competição, para acertar o calendário. Estava agora em disputa a edição regular, desta vez frente ao Boavista.

De novo em duas mãos, coube a 1ª ser jogada nas Antas. Derrota (1-2) surpreendente quanto merecida, pela menor performance portista, que ainda assim teve alguma infelicidade. No Bessa a equipa voltou a não ser feliz e empatou por 2-2, quando  chegou a parecer garantida a vitória. Os azuis e brancos venciam por 0-2, deixando-se empatar aos 79 e 81 minutos, perdendo por isso o troféu.

Nas competições europeias o FC Porto esteve envolvido na Liga dos Campeões, com um formato diferente.

Começou por disputar duas eliminatórias para apurar oito clubes a serem distribuídos em dois grupos. Os luxemburgueses do União Luxemburgo foram os primeiros adversários. Duas vitórias fáceis (1-4 fora e 5-0 em casa) abriram caminho para novo confronto, agora contra os suíços do Sion. Empate 2-2, na Suíça e vitória caseira, por 4-0.

Na fase de grupos os Dragões tiveram a companhia de PSV Eindhoven, IFK Gotemburgo e AC Milan. Apenas se apuravam os primeiros de cada grupo para disputarem a final.

O PSV Eindhoven foi o primeiro a pisar o relvado das Antas, na 1ª jornada. O FC Porto não conseguiu melhor que um empate a dois golos. Esteve a ganhar 1-0 e a perder 1-2. Os golos portistas foram apontados por Jaime Magalhães e Zé Carlos.




















Equipa inicial que defrontou nas Antas o PSV. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Zé Carlos, Jaime Magalhães, Semedo, Aloísio e João Pinto; Em baixo: Jorge Couto, André, Rui Filipe, Domingos e Kostadinov.

A segunda jornada levou o FC Porto até à Suécia para defrontar o IFK Gotemburgo. Derrota frustrante, por 1-0, frente a um adversário sem grande potencial e nos últimos minutos, num jogo que parecia bem controlado.

Seguiu-se a visita do todo poderoso AC Milan e por momentos chegou-se a acreditar ser possível chegar à vitória, que esteve realmente ao alcance, mas o cinismo italiano acabou por vir ao de cima e fazer a diferença. Derrota por 0-1 e a certeza de que os jogos seguintes mais não seriam que para cumprir calendário.






















Equipa inicial que defrontou o AC Milan, nas Antas. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Baía, Fernando Couto, Jorge Costa, Semedo, Aloísio e João Pinto; Em baixo: Timofte, Jorge Couto, Paulinho Santos, Rui Jorge e Kostadinov.

Na 4ª jornada o FC Porto voltou a defrontar o AC Milan, agora no Giuseppe Meazza, mas com resultado idêntico. Foi um jogo equilibrado que com um pouquinho de sorte poderia ter sido diferente.

Nas duas últimas jornadas o FC Porto conheceu finalmente o doce sabor da vitória. Primeiro na Holanda, frente ao PSV, por 0-1, golo de Zé Carlos de grande penalidade e depois, nas Antas frente ao IFK Gotemburgo, por 2-0, golos de Zé Carlos e Timofte.

Na classificação final do grupo, ganho pelo inquestionável AC Milan, o FC Porto acabaria na 3ª posição com 6 jogos, 2 vitórias, 1 empate, 3 derrotas, 5 golos marcados e 5 sofridos, acumulando 5 pontos, menos 1 que o IFK e menos 7 que o AC Milan e mais 4 que o PSV.





































(Clicar no quadro para ampliar)

O FC Porto esteve envolvido em 4 provas, num total de 50 jogos. Carlos Alberto Silva recorreu ao concurso de 25 atletas, aqui descriminados por ordem decrescente da sua utilização: Vítor Baía (49 jogos), Domingos e Semedo (45), Kostadinov (43), Aloísio (40), Fernando Couto (39), João Pinto (38), Jaime MAgalhães e Jorge Couto (35), Bandeirinha e Rui Jorge (34), André (32), Timofte (31), Toni (17), Zé Carlos, Paulinho César e Paulinho Santos (16), Jorge Costa (15), Vlk e António Carlos (14), Rui Jorge (13), Tozé (10), Bino (7), Neves e Valente (3).

Fontes: Baú de Memórias, de Rui Anjos, Revista Dragões e Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar