terça-feira, 17 de setembro de 2013

EQUIPAS DO PASSADO - DÉCADA DE 80

ÉPOCA 1985/86

Um ano depois, as gentes do Porto voltaram a sair à rua para festejarem o segundo título nacional consecutivo do futebol sénior dos Dragões. Um título muito disputado até à última jornada e que premiou a regularidade da equipa e a organização do Departamento de futebol, que soube sempre responder eficazmente aos inúmeros problemas que se lhe depararam ao longo da temporada, nomeadamente através do reforço do plantel, fustigado por sucessivas e problemáticas lesões.
















Plantel inicial de 1985/1986, ao qual se juntariam mais tarde Celso, Juary, Madjer e Mlynarczik, que não estão nesta foto. Da esquerda para a direita, em cima: Vítor Hugo (massagista), Eurico, Laureta, Walsh, Matos, Zé Beto, Amaral, Paulo Ricardo, Semedo, José Albano, Diamantino Moura (massagista) e Agostinho (roupeiro; ao meio, Brandão (roupeiro), Prof Neto (prep. físico), Mariano, Lima Pereira, Octávio (adjunto), Artur Jorge (treinador), João Mota (adjunto), João Pinto, Celestino, Dr. Domingos Gomes (médico), José Luís (massagista) e Armando Plácido; em baixo: Frasco, não identificado, Futre, Eduardo Luís, Vermelhinho, Paquito, Fernando Gomes, Vitoriano, André, Inácio, Jaime Magalhães e Rui Barros

Depois de um início prometedor frente ao Benfica, ao qual se impôs com uma vitória por 2-0, no jogo de abertura do Campeonato e onde deixou bem patente a força e ambição que norteava os campeões nacionais, o FC Porto cedeu o primeiro ponto na segunda jornada, em Vidal Pinheiro.

Sem rubricar exibições fulgurantes, fustigada por lesões em série, a equipa de Artur Jorge soube responder ao infortúnio com muito querer e determinação, mantendo-se nos lugares cimeiros e aproximando-se semana a semana, das exibições de grande classe patenteadas na época anterior.

O FC Porto só conseguiu apossar-se do comando da classificação na penúltima jornada, em função da vitória conseguida em Setúbal e da ajuda do Sporting que foi à Luz vencer o Benfica. No último jogo, o Estádio das Antas engalanou-se e tornou-se pequeno para albergar todos quantos queriam assistir à consagração dos campeões.

O jogo foi terrível, transformando-se num tsunami de emoções. O adversário, o Sporting da Covilhã não facilitou, bem pelo contrário. O Porto até começou bem, a dominar e a chegar com toda a naturalidade ao golo, por André, aos 6 minutos. Mas em rápidos e perigosos contra-ataques o Covilhã virou o resultado, faltavam cerca de 30 minutos para o fim do jogo. A perder um jogo que era necessário vencer, os jogadores portistas encheram-se de brios e Fernando Gomes, em três minutos (61' e 64'), fez o que de melhor sabe, para gáudio e explosão da recheada e vibrante plateia portista. Elói ainda faria o último golo, ampliando o resultado para 4-2. Era hora de festejar o 3º bicampeonato da história azul e branca.

O FC Porto somou 49 pontos, mais dois que o Benfica e mais três que o Sporting, em consequência de 22 vitórias, 5 empates e três derrotas. Marcou 64 golos (melhor ataque com os mesmos golos do Sporting) e sofreu 20.






















Equipa titular do último jogo do campeonato: da esquerda para a direita, em cima: Lima Pereira, Mlynarczyk, Celso, Eduardo Luís, Jaime Magalhães e Inácio; em baixo: André, Fernando Gomes, Elói, Madjer e Futre.

Na Taça de Portugal, o FC Porto não foi além dos oitavos-de-final, afastado pelo Benfica, na Luz, ao perder por 2-1, num jogo em que esteve a vencer por 1-0 e a equipa portista dava mostras de poder garantir a sua continuidade na prova. Porém, Celso foi expulso aos 55 minutos por cometer grande penalidade, altura em que os lisboetas aproveitaram para empatar. O FC Porto terminaria o jogo reduzido a nove elementos face à lesão de Lima Pereira, isto quando Artur Jorge já tinha procedido às duas substituições regulamentares. O Benfica chegaria à vitória aos 70 minutos.

A Supertaça Cândido de Oliveira foi também para o Benfica.  Jogada em duas mãos, a primeira, na Luz, acabou por ser decisiva face à derrota por 1-0, que o FC Porto não conseguiu reverter nas Antas, onde não foi além de um empate sem golos.

Na Taça dos Campeões Europeus, também não foi feliz. Na primeira eliminatória afastou o Ajax, da Holanda, com 2-0, nas Antas e empate a zero em Amesterdão, mas na segunda foi afastado pelo Barcelona, numa eliminatória muito equilibrada. Em Camp Nou a derrota por 2-0 teve influência do árbitro, o belga Van Lagenhove, que fez vista grossa a duas irregularidades na área do Barcelona, que poderia ter proporcionado outro desfecho, face à categoria e classe com que os jogadores portistas actuaram nesse encontro. Nas Antas, os azuis e brancos confirmaram que estavam preparados para se baterem ao nível das melhores formações da Europa. Venceram por 3-1, com três golos de Juary, num jogo em que a sua superioridade foi uma constante.  Pena foi ter sofrido o golo que, por ter sido obtido fora de casa, valeu por dois e acabaria por ditar a eliminação imerecida.






























No conjunto das 4 provas em que o FC Porto esteve envolvido, Artur Jorge utilizou 29 jogadores, aqui referenciados por ordem decrescente dessa utilização: Fernando Gomes (40 jogos), André (36), Futre (33), Lima Pereira (30), Juary (29), Inácio (28), Celso, Frasco e João Pinto (27), Laureta (26), Eduardo Luís (24), Madjer (23), Vermelhinho (18), Mlynarczyk, Semedo e Zé Beto (17), Quim (14), Elói (13), Paquito (11), Jaime Magalhães e Walsh (10), Paulo Ricardo (8), Matos (6), Celestino, Edvaldo e Festas (5), Eurico e Vitoriano (4) e José Albano (1).


OUTRAS EQUIPAS POSSÍVEIS DESTA ÉPOCA





















Na imagem, da esquerda para a direita, em cima: Eurico, Lima Pereira, Laureta, Semedo, João Pinto e Zé Beto; em baixo: André, Frasco, Fernando Gomes, Paquito e Futre.





















Na imagem, da esquerda para a direita, em cima: Eurico, Celso, Semedo, Laureta, João Pinto e Zé Beto; em baixo: Juary, Frasco, Fernando Gomes, André e Futre.

Fontes: Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar; Revista Dragões; Baú de Memórias, de Rui Anjos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

GOLEADORES PORTISTAS - Nº 22












DJALMA - Goleador Nº 22

Apontou 64 golos nos 101 jogos, em provas oficiais, disputados durante as três épocas ao serviço do FC Porto (1966/67 a 1968/69).

Djalma Nascimento de Freitas nasceu no dia 27 de Novembro de 1941, no Bairro de Caxangá, cidade do Recife, Brasil.

Entrou com 15 anos nas escolas de formação do Caxangá EC, onde fez duas épocas como júnior, passando de seguida para a equipa principal, com apenas 17 anos, patenteando desde logo os seus atributos de finalizador que provocou o assédio de clubes mais importantes, tendo-se transferido em 1958 para o América FC, para na temporada seguinte rumar ao SC Recife. Durante as cerca de sete temporadas ao serviço deste clube, conquistou alguns títulos e marcou muitos golos.

Chegou a Portugal em Junho de 1965 para representar o Vitória de Guimarães onde a veia goleadora foi muito apreciada pelos responsáveis do FC Porto que o contrataram na época seguinte (1966/67). Djalma firmou um contrato por três temporadas, passando a ser o jogador do clube mais bem pago. O avançado brasileiro manteve a sua capacidade goleadora, sagrando-se  como o melhor marcador da equipa durante as duas primeiras épocas.

Ponta de lança baixote mas muito rápido e de capacidade técnica evoluída, tinha faro de golo, aparecendo com grande oportunismo em zonas de finalização para aplicar o seu temível remate. Tinha um senão, era demasiado temperamental, muito pouco tolerante e convivia muito mal com a dureza dos adversários e as picardias que lhe dirigiam, respondendo rispidamente, o que lhe valeu vários castigos e lhe granjearam  a fama de indisciplinado.
























Estreou-se oficialmente com a camisola do FC Porto em 18 de Setembro de 1966, na Póvoa de Varzim, frente ao Varzim, em jogo da 1ª jornada do campeonato nacional, marcando dois dos três golos, da vitória portista por 0-3.

Nas três temporadas ao serviço do FC Porto, Djalma acrescentou ao seu palmarés a conquista da Taça de Portugal de 1967/68, onde foi titular da equipa azul e branca que derrotou o V. Setúbal por 2-1, no estádio do Jamor.











No final da época seguinte (1968/69), transferiu-se para o FC Belenenses, onde viria a agravar os seus problemas disciplinares. Por isso, acabou emprestado ao Clube Oriental de Lisboa e em 1971/72 ao AC Marinhense. Em 1973/74 foi jogar no SC Espinho, ajudando o clube a subir à 1ª Divisão Nacional.

Não se libertou dos problemas disciplinares e ainda adicionou outro mais grave, o álcool, que contribuiu para acabar com a sua carreira e o deixou numa situação financeira deplorável, de tal forma que em 1976, o FC Porto promoveu e realizou um jogo de homenagem, no Campo do Riopele, que lhe permitiram angariar fundos para poder voltar ao Brasil.

Palmarés ao serviço do FC Porto (1 título):
1 Taça de Portugal (1967/68)

Fontes: Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar 

domingo, 15 de setembro de 2013

PRIMEIRA PARTE DE LUXO, SEGUNDA DE LIXO!















FICHA DO JOGO

























ONZE TITULAR
Da esquerda para a direita, em cima: Helton, Fernando, Maicon, Jackson, Danilo e Otamendi; em baixo: Licá, Quintero, Defour, Alex SAndro e Silvestre Varela























Quarta jornada do campeonato e quarta vitória do tricampeão nacional. Com o jogo da Champions League no horizonte, Paulo Fonseca, preservou Mangala (saído de lesão) e Lucho Gonzalez, bem como  Josué, três atletas que têm sido utilizados como titulares e desta vez começaram no banco dos suplentes. Nos seus lugares surgiram Maicon, Quintero e Silvestre Varela. Porém, quis o infortúnio que Maicon só durasse 16 minutos, pois teve de ser substituído, por lesão.

O FC Porto, como lhe competia, entrou lançado no ataque à procura de um resultado que lhe proporcionasse o conforto necessário para poder descansar para o jogo de Quarta-feira. A verdade é que fez 40 minutos de grande qualidade, com jogadas bem delineadas, futebol agradável, vistoso e com uma série de oportunidades de golo, das quais aproveitou duas nos primeiros 27 minutos de jogo. O primeiro, na sequência de um canto, marcado à maneira curta, seguido de cruzamento efectuado por Quintero. Maicon na área subiu mais alto, tocando de cabeça para Varela disparar, em posição frontal, primeiro contra o guardião do Gil Vicente e depois na recarga a dar o melhor seguimento para as malhas, abrindo o marcador. O segundo também num cruzamento, agora de Danilo, a que Licá correspondeu com um belo cabeceamento, rechaçado pelo guardião Adriano para a pequena área onde surgiu Jackson, com todo o oportunismo a empurrar a bola para as redes.

Golo de Silvestre Varela





















Festejo de Jackson no 2º golo

























Foi uma primeira parte de bom nível em que o Gil Vicente não foi sequer capaz de chegar à baliza de Helton.

Depois do intervalo a equipa portista regressou apenas para fazer passar o tempo. Só que escolheu uma forma perigosa e pouco recomendável. Desistiram pura e simplesmente do jogo. Descontraíram-se, desconcentraram-se e desleixaram-se ao ponto de permitirem que o Gil Vicente construísse uma mão cheia de ocasiões que poderiam ter terminado em golo, não fora a falta de eficácia evidenciada.

Como é possível uma equipa de alta competição baixar de forma tão radical a sua performance? Os atletas azuis e brancos perderam completamente a noção do que é descansar com bola, entrando numa espiral de mau futebol e incapacidade para suster a reacção do adversário, que apenas aproveitou o desleixo portista, para aparecer com perigo em zonas de finalização.

Para a história fica mais um triunfo, o 74º  jogo consecutivo sem conhecer o sabor amargo da derrota, no Dragão para o campeonato e o quarto jogo consecutivo de Jackson Martinez a marcar, igualando a marca do seu compatriota Falcao.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

VENCER PARA MANTER LIDERANÇA








As provas de clubes estão de volta e o FC Porto entra em campo amanhã para receber o Gil Vicente, no Dragão. Os tricampeões nacionais vão tentar manter-se na prova invictos e continuar na liderança isolada do campeonato, situação que alcançou no final da jornada anterior.





















Como em futebol não há vencedores antecipados, cabe aos atletas azuis e brancos apresentarem-se com a competência e ambição habituais para conseguir o objectivo, que é somar os três pontos. Ninguém estará certamente a contar com facilidades. O adversário é valoroso e também acalenta as suas aspirações e roubar pontos no Dragão seria um feito assinalável, por isso nada de facilitar.

Paulo Fonseca, que em função dos inúmeros internacionais que estiveram ao serviço das suas selecções, não conseguiu preparar este jogo, como seria de desejar, com alguns a participarem apenas no treino de hoje (Fucile, Diego Reyes, Herrera, Quintero e Jackson Martinez), não deverá alterar muito a equipa titular que tem dado conta do recado.

Os regressos de Mangala, Carlos Eduardo e Silvestre Varela, são as notas dominantes da lista de convocados. Em relação à anterior convocatória, foram preteridos, Fucile, Herrera e Abdoulaye (emprestado ao V. Guimarães).

LISTA COMPLETA DOS CONVOCADOS




















EQUIPA PROVÁVEL






















COMPETIÇÃO: Liga Zon Sagres 2013/14 - 4ª Jornada
PALCO DO JOGO: Estádio do Dragão - Porto
DATA E HORA DO JOGO: Sábado, 14 de Setembro de 2013, às 20:15 h
ÁRBITRO NOMEADO: Hugo Pacheco - A.F. Porto
TRANSMISSÃO: SportTv1

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PERFORMANCE PORTISTA NAS SELECÇÕES



Foram onze os atletas do plantel principal do FC Porto a estarem envolvidos nos trabalhos e jogos das diferentes selecções nacionais, durante estes 13 dias que vão mediar o interregno das competições nacionais.

As performances foram diversas. Assim, há a salientar o desempenho do jovem Ricardo, único dos seleccionados que jogou em escalão inferior, os Sub-21. Começou no banco, no jogo frente à Noruega, a contar para a fase de grupos de qualificação, do campeonato da Europa/2015, do respectivo escalão, entrando aos 66 minutos, ainda a tempo de mostrar o seu valor e ajudando a ampliar a goleada, ao apontar o último golo da partida, no 5-1 final. Cinco dias depois, em jogo particular de preparação, foi titular contra a Polónia, voltando a mostrar-se muito útil e a marcar mais um golo, na vitória portuguesa por 6-1;

Quanto ao desempenho dos dois jogadores portistas seleccionados para a equipa principal, nos diferentes compromissos, apuramento para a fase final do Mundial/2014 e jogo particular contra o Brasil, há apenas a registar a 1º internacionalização de Licá, ao ser utilizado nos últimos seis minutos deste encontro de preparação. Josué não saiu do banco de suplentes;

Defour esteve em grande, no jogo entre a Escócia e a Bélgica, tendo sido titular e autor do único golo da partida, com que os belgas derrotaram os escoceses, na luta para o apuramento ao Mundial/2014;

A França disputou dois jogos de apuramento, mas Mangala não saiu do banco;

A Colômbia disputou dois jogos de apuramento e dos dois atletas portistas envolvidos, só Jackson Martinez foi utilizado, em ambos os jogos nos últimos minutos das partidas, aos 82 minutos, na vitória colombiana frente ao Equador (1-0), e aos 86 minutos na derrota frente ao Uruguai (2-0). Quintero viu os dois jogos do banco;

Fucile foi o atleta portista e uruguaio, que também disputou dois jogos de apuramento pela sua selecção. Na vitória frente ao Perú, por 2-1, entrou apenas aos 82 minutos, mas foi titular no jogo todo, na vitória diante da Colômbia, por 2-0;

Diego Reys e H. Herrera, estiveram com a selecção do México. O defesa jogou os dois jogos, primeiro contra as Honduras, onde terá ficado mal na fotografia, num dos golos sofridos que ditou a derrota mexicana (1-2) e depois, frente aos EUA, onde terá voltado a comprometer, na derrota por 0-2. Já Herrera apenas foi utilizado neste último encontro, tendo entrado aos 55 minutos;

A Argélia do portista Ghilas, derrotou o Mali, por 1-0 e mantém bem acesa a ambição de carimbar o passaporte para o Brasil. O jogador azul e branco actuou durante toda a partida.

Paulo Fonseca é que continua sem poder contar com alguns destes internacionais, que vão chegando a conta-gotas, podendo influenciar (ou não), a constituição do onze titular, frente ao Gil Vicente, no próximo Sábado. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

DRAGÃO CATEDRÁTICO - SABIA QUE...
















... o FC Porto foi o primeiro clube português a optar por um guarda-redes estrangeiro?


Chamava-se Mihaly Syska, o húngaro que ajudou a conquistar dois campeonatos de Portugal
Mihaly Siska
(1924/25 e 1931/32) e que se manteve sete anos no plantel dos dragões. Depois de abandonar como futebolista, assumiu o comando técnico em duas ocasiões (1935/36 e 1938/39 a 1941/42).

Mihaly Siska veio para o FC Porto em 1922, quando o futebol era ainda amador, no entanto consta que o guardião húngaro recebia mil escudos «à socapa». Para todos os efeitos, Siska era empregado mecânico da Sociedade de Vinhos Borges & Irmão, apesar de ter sido formado como dentista.

Mais tarde naturalizou-se português, adoptando o nome de Miguel Siska e foi o primeiro ex-guarda-redes a treinar uma equipa, o FC Porto, conseguindo levar a equipa ao título nacional em duas épocas consecutivas (1938/39 e 1939/40).

Fontes: Bíblia do FC Porto, de João Pedro Bandeira; Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar

terça-feira, 10 de setembro de 2013

EQUIPAS DO PASSADO - DÉCADA DE 80

ÉPOCA 1984/85

A grave doença de José Maria Pedroto recomendava a procura de um novo treinador. Pinto da Costa seguiu a sugestão do «mestre» e escolheu para liderar a nova equipa técnica, um jovem treinador, quer na idade como na experiência, de seu nome Artur Jorge, que na época anterior treinara o Portimonense sem grandes alardes. Pedroto conhecia-o bem (fora seu adjunto em Guimarães) e augurava-lhe uma brilhante carreira.

Aposta arriscada mas consciente. Artur Jorge, confiante no seu valor e pautando o seu trabalho pela disciplina e rigor, mudou mentalidades, fez acertos, rodeou-se de gente ambiciosa e competente, partindo para a luta. Havia que recuperar o título de campeão nacional, que teimosamente fugia desde 1978/79, bater-se com afinco pelas outras competições nacionais e confirmar, em termos internacionais, a magnífica imagem da época anterior.

Talvez por via dessa imagem, o defeso voltara a ser como um verdadeiro vendaval de transferências. Jaime Pacheco e Sousa, dois centro campistas que tão bem tinham jogado, tornando-se jogadores chave na manobra da equipa, assediados pelo Sporting, mas ainda com contrato válido pelo FC Porto, assinaram pela turma lisboeta, ao abrigo de um famigerado artigo então vigente «FALTA DE CONDIÇÕES PSICOLÓGICAS», para cumprir o contrato que tinham assumido, provocando uma insatisfação generalizada no seio da família portista. A resposta de Pinto da Costa não se fez esperar, caindo como uma bomba. O jovem e promissor Paulo Futre, foi desviado dos leões, ao abrigo da mesma clausula, deixando-os, bem como à Imprensa desportiva lisboeta, à beira de um ataque de nervos. Para colmatar a saída dos «fugitivos», o FC Porto contratou os médios, Quim ao Rio Ave e André ao Varzim.


PLANTEL 1984/85
FOTO DO BLOGUE LÔNGARA - ACTIVIDADE LITERÁRIA E MEMÓRIA ALVI-ANIL















Na foto, da esquerda para a direita, em cima: Quim, Ademar, João Pinto, Semedo, Lima Pereira, Quinito, Futre e Santos; ao meio: João Mota (adjunto), Vítor Hugo (massagista), Barradas, Walsh, Mito, Zé Beto, Eduardo Luís, Mariano, Eurico, Cerqueira, Matos, Octávio (adjunto), Prof. Neto (psicólogo) e não identificado; Em baixo: José Luís (massagista), Brandão (roupeiro), Frasco, Jacques, Vermelhinho, Fernando Gomes, Artur Jorge (treinador), André, não identificado, Jaime Magalhães, Inácio, Costa e Agostinho (roupeiro).

A época abriu a 26 de Agosto de 1984 com a disputa da primeira jornada do campeonato nacional. Os DRAGÕES, alcunha que Pinto da Costa fez questão de enfatizar e apropriar para designar o Clube, apesar de derrotados pelo Boavista na 2ª jornada, ia mostrando atributos capazes de os transformar em sérios candidatos ao título. A qualidade das exibições rubricadas pela equipa provavam que as aquisições feitas tinham sido acertadas e permitiam acalentar ambições. 

A época prometia, apesar da inesperada, surpreendente e frustrante eliminação da Taça das Taças, logo na 1ª eliminatória, às mãos do modestíssimo e desconhecido Wrexham, do País de Gales, com derrota portista por 1-0, no Race Horse Stadium seguida de uma vitória inglória por 4-3, nas Antas, onde o FC Porto, aos 38 minutos do jogo vencia já por 3-0, dando a ideia de poder eliminar com toda a facilidade o seu adversário.  Mas não, numa noite de chuva intensa, miudinha e chata, o guardião portista Borota (Zé Beto estava impedido de alinhar em confrontos internacionais, depois de um desaguisado com o árbitro, na final de Basileia) decidiu abrir a «capoeira» e até final do encontro permitiu três golos incríveis!

Tirando esse contra tempo , em Janeiro de 1985, Artur Jorge sentiu que estava desbravado o caminho para o seu primeiro título nacional, vencendo na Luz, à 18ª jornada, o Benfica, por 0-1.

Entretanto, Pedroto não tinha resistido à doença e falecera a 7 de Janeiro. Bandeiras com as cores azul e branco, pendentes das janelas e varandas, ao longo do percurso do funeral, uma das formas da população da cidade prestar a sua  derradeira homenagem ao «mestre». Trajecto de seis quilómetros a pé, com milhares de pessoas acompanhando o préstito fúnebre entre as Antas e o cemitério de Agramonte, até ao mausoléu do Clube, onde ficou repousando, ao lado de outras glórias portistas.

A 12 de Maio de 1985, o FC Porto ao bater o Belenenses por 5-1, sagrou-se campeão nacional, quando faltavam ainda disputar mais três jornadas. Foi no Estádio das Antas, lotação esgotada, com os adeptos azuis e brancos vibrantes e eufóricos, previamente confiantes numa festa inadiável. 






















Equipa titular que defrontou o Belenenses e garantiu o título nacional. Da esquerda para a direita, em cima: Eurico, Lima Pereira, Inácio, João Pinto e Zé Beto; em baixo: Frasco, Fernando Gomes, Jaime Magalhães, Vermelhinho, Quim e Futre.

O campeonato terminaria em Portimão, com nova vitória portista e respectiva consagração. O treinador portista foi apelidado de Rei Artur, consagrando-se como o primeiro treinador português, com menos de 40 anos, a vencer o campeonato nacional.























Na foto, da esquerda para a direita, em cima: Eurico, Matos, André, Mito, Lima Pereira, Jacques, Fernando Gomes, Vermelhinho, Walsh, Semedo, Eduardo Luís, Mariano, João Pinto e Zé Beto; em baixo: Paulinho Cascavel, Quim, Quinito, Frasco, Futre, Jaime Magalhães, Inácio e Costa.


A equipa portista completou o campeonato com o registo de 30 jogos, 26 vitórias, 3 empates, 1 derrota,  78 golos marcados (melhor ataque), 13 golos sofridos (melhor defesa) e 55 pontos, mais 8 que o Sporting (2º) e mais 12 que o Benfica (3º).

Fernando Gomes, ao apontar 39 golos, cotou-se como o melhor marcador do campeonato, arrecadando a sua 6ª Bola de Prata e simultaneamente o melhor marcador da Europa, sendo distinguido pela segunda vez com a Bota de Ouro.

Mas não seria o único título da temporada. O outro,  obteve-o em confronto directo com o Benfica, na disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, decidida em 4 jogos.  Mantendo-se o figurino de final disputada em duas mãos,  a primeira teve como palco o estádio da Luz, com vitória encarnada por 1-0. Nas Antas, o FC Porto respondeu com resultado idêntico, empatando a contenda. Houve então necessidade de recorrer ao desempate, disputado da mesma forma, ou seja, em duas mãos. Jogado já perto do final da época, o FC Porto foi então arrasador, vencendo os dois encontros: 3-0, nas Antas e 0-1 na Luz.






















Já na Taça de Portugal o triunfo final foi para o Benfica, que no Jamor bateu o FC Porto, por 3-1.


























Na foto a equipa portista, da esquerda para a direita: Fernando Gomes, Zé Beto, Eurico, Frasco, Jaime Magalhães, Quim, Vermelhinho, Futre, Inácio, João Pinto e Lima Pereira



































No conjunto das 4 provas em que o FC Porto esteve envolvido, num total de 43 jogos, foram utilizados 23 atletas, aqui referenciados por ordem decrescente da sua utilização: Eurico, Futre, João Pinto e Quim (43 jogos), Fernando Gomes e Inácio (42), Zé Beto (41), Jaime Magalhães e Vermelhinho (39), Lima Pereira (38), Frasco (36), André (24), Quinito (16), Semedo (15)Eduardo Luís e Walsh (12), Ademar e Costa (6), Mito (4), Borota e Paulinho Cascavel (2), Jacques e Mariano (1).

OUTRA DAS EQUIPAS POSSÍVEIS DESSA ÉPOCA





















Na foto, da esquerda para a direita, em cima: Eurico, Lima Pereira Inácio, Quim, João Pinto e Zé Beto; em baixo: Jaime Magalhães, Frasco, Fernando Gomes, André e Futre

Fontes: Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar; Revistas Dragões dessa época; Baú de Memórias, de Rui Anjos.